Minha primeira vez na praia de nudismo.

Como todos os anos escolhemos um lugar turístico para visitar, nossas férias estavam chegando, escolhemos João Pessoa, a primeira vista não tínhamos muita ideia do que visitar, pois apesar de ser um lugar lindo não é tão turístico quanto as outras praias do Nordeste.

Igual as outras viagens, olhei pelo Google o que fazer, separamos praias a visitar, lugares para comer, onde fazer compras, passeios de embarcação,  enfim uma lista que coube dentro do nosso período de férias.

Já na chegada tivemos um grande imprevisto,  nossa mala havia sido enviada para o Rio de Janeiro durante a escala, isso nos deixou chateados, um calor de mais de 30 graus, nós chegando do Sul com roupas compridas, nos deslocamos até o hotel  toda aquela incomodação com a empresa Gol. Por não ser um rota de viagens vem poucos voos para João Pessoa, somente no outro dia teríamos nossa mala.

Depois de várias ameaças e reclamações, pela manhã, cedo nossa mala foi entregue no Hotel.

Então começamos a visitar todos os lugares da nossa lista, nos encantamos com as praias lindas, a natureza. Por as praias serem tranquilas, água quente e cristalina, em todos lugares que fomos todos nos tratavam muito bem. Enfim super indico!

Chegou o dia de conhecer Tambaba, ela é dividida entre a praia para todos, e a naturista. Ao chegar tem uma descida que dá encontro a falésias e rochas formando piscinas naturais, conforme a maré, a praia muda de forma, um dos destaques fica para um coqueiro solitário em cima de uma formação rochosa.

Na ponta da praia tem um senhor que nos conduz e explica sobre o lado da praia naturista, eu toda empolgada querendo viver esta experiência insisti com meu marido que se negava, ele dizendo não se sentir a vontade, eu rindo disse pra ele: só se vive uma vez, derrepente nunca mais iremos estar aqui, e no mais todos que estão lá são obrigados a se respeitar, sem fotos, sem roupas, enfim existem regras.

Ele: tá bom!não temos nada a perder, o rapaz: você tem que tirar a roupa antes de entrar na praia, eu prontamente, aqui? Olhando para tds lados, a praia cheia de gente, ele diz rapidamente …naooooo.

Lá em cima tem um biombo que quando vc passar vc retira e terá um local para guardar suas coisas.

Passamos o portal dos pelados, e eu adorei! A maioria das pessoas que estavam lá eram casais, quase todos de meia idade ( pessoas desapegadas de corpo, resolvidas e que não devem satisfação a ninguém).

Tomei meu primeiro banho de mar nua, é um sensação deliciosa, você estar sem roupas e as pessoas não te assediarem por isso, ninguém se masturbando ou te abordando, podemos deitar na areia tomar sol, andamos pelo local, ninguém preocupado com o tamanho do 🐥, ou se a barriga esta chapada o suficiente, se os seios estão em pé. Podemos andar de mãos dadas, nos beijar e isso não feriu o pudor de ninguém.

Voltamos em um segundo dia.

Não crie defesas onde não existe barreiras.

Respeito e Amor você deve a você.

Permita se viver novas experiências com seu parceiro(a) você não precisa compartilhar com os outros, senão quiser, tudo que é consensual é válido, desde que exista um acordo entre o casal.

Prostituta por uma noite

Meu nome é Laura e tenho 36 anos. Estou casada há 9 anos, sou uma mulher bonita, faço exercícios e me mantenho em muito boa forma, tenho peitos médios e uma bundinha empinada. Meu marido sempre me diz que eu tenho uma bunda de capa de revista. Quanto a minha vida sexual com meu marido, é muito boa, realmente gostamos de experimentar coisas novas entre nós dois, mas depois de 9 anos juntos não há muito mais variações e, começa-se a fantasiar sobre outros homens/mulheres e novas experiências.
Uma das minhas fantasias sempre foi trabalhar como prostituta por uma noite, transar com um cara e ser paga para fazer sexo com ele. Eu contei isso ao meu marido, isso o deixou excitado e até rendeu uma foda fantástica, mas ele não teve coragem de liberar sua esposinha querida pra realizar a fantasia.
Naquela época, meu marido teve que viajar uma semana toda, para fora do estado a negócios. No terceiro dia sozinha em casa, cansei de me masturbar com meu vibrador e resolvi realizar minha fantasia. Me vesti super sexy, com salto alto, mini saia, depilei minha bucetinha e coloquei uma calcinha bem sexy. Coloquei vários preservativos na bolsa, entrei no carro e dirigi até uma área onde as prostitutas costumam parar para esperar seus clientes.
Estacionei meu carro no estacionamento de um shopping, cerca de uns 800mts longe de onde iria ‘trabalhar’ e sai caminhando pela calçada me achando super gostosa. Eram aproximadamente 10 da noite, quando cheguei ao local e haviam 4 meninas paradas na calçada trabalhando. Eu estava assustada e nervosa, mas ao mesmo tempo sentia que a minha vagina estava quente e suculenta só de pensar que ia cumprir uma das minhas fantasias, uma das prostitutas aproximou-se de mim e disse:

  • ‘Olá, o meu nome é Sonia! Você é nova por aqui não é?’
  • ‘Sim’
    Ela imediatamente começou a me perguntar coisas e dar conselhos, então perguntei à ela
  • ‘Quanto vocês cobram… dos clientes!’
  • ‘Ahhh.. gata! Tudo depende do que o cara quer…’
  • ‘Eu cobro cinquentinha por um boquete. Se quiser meter são 150, e pra dar o cuzinho eu cobro duzentão!’
    A conversa com a Sônia me deixou com tesão e ao mesmo tempo nervosa, porque eu nunca fiz sexo por dinheiro, nunca fui infiel ao meu marido e também tinha medo de entrar no carro de um estranho para fazer sexo. Tudo isso me deixou super assustada, mas ao mesmo tempo deixou minha buceta escorrendo de excitação. Aí a Sônia me disse:
  • ‘Bom amiga… boa sorte’ e continuou andando pela calçada.
    Comecei a andar para frente e para trás, como uma leoa enjaulada, sacudindo minha bunda toda vez que via os faróis de um carro se aproximando. Após 20 minutos de caminhada, um carro parou, me aproximei dele e falei
  • ‘Olá amor, o que você está procurando?’ O cara tinha uns 40 anos, era meio gordinho e me perguntou
  • ‘Quanto custa um boquete?’
  • ‘Cinquentinha querido!’ eu respondi lambendo o lábio inferior
    O cara sorriu maliciosamente e mandou eu entrar no carro. Entrei e, ele dirigiu outro quarteirão e paramos em um beco escuro. Eu estava muito nervosa. O cara não disse nada para mim, apenas abriu a calça e tirou o pau, baixei a cabeça e comecei a chupar. Seu pau estava semi-duro, era bem grosso e cheirava a suor, não tinha um gosto bom, mas era isso que eu queria, me sentir usada. O cara colocou a mão na minha cabeça e eu continuei chupando seu pau, que crescia na minha boca.
    Logo estava muito duro, seu pau tinha cerca de 17 centímetros de comprimento, eu o tirei da minha boca cuspi sobre a cabeça roxa e punhetei com minha mão, avaliando a grossura muito parecida com meu marido e perguntei se ele não gostaria de me foder por R$ 100,00 o cara me disse:
  • ‘Eu não tenho dinheiro pra isso, só chupa meu pau safada. Pega o meu leite porque se você não chupar até o fim eu não vou te pagar’
    Eu não disse nada e continuei chupando até sentir seu pau ficar tenso, suas bolas peludas se encolheram em minha mão e eu sabia o que viria a seguir. Tentei tirar a boca para que ele não jorrasse tudo na minha boca, mas ele empurrou minha cabeça com força contra seu pau e disse:
  • ‘Onde você vai sua vadia? Engule o teu leite sua puta!’
    E ele começou a foder com seu pau inteiro em minha boca, e eu senti os jatos quentes de leite enchendo minha boca. Quando o cara acabou de gozar, abri a porta do carro e cuspi a porra toda pra fora. Mas foi inutil eu ja tinha engolido quase metade. O cara me disse:
  • ‘O que foi, vadia, você não gostou do leite?’ e sorrindo jogou os 50 reais nas minhas pernas, agradeci e saí do carro.
    Comecei a caminhar em direção ao lugar onde ele me pegou, com um sorriso nos lábios ainda sentindo o gosto do seu esperma em minha boca, enquanto eu quase realizava minha fantasia, uma pena que esse cliente não quiz me foder, mas a noite ainda era uma criança. Voltei pra minha posição e continuei mexendo o rabo, mas dessa vez com mais confiança, fiquei andando na calçada por uma hora e, nesse tempo chupei mais três paus, mas todos me disseram que não tinham dinheiro para me foder.
    Eu estava super excitada e querendo ser fodida, então continuei andando sacudindo minha bunda até que finalmente um carro parou com um cara na casa dos 30 ou 40 anos. Aproximei-me do carro e perguntei: ‘Como posso ajudá-lo?’ O cara era bonito, mas muito magro para o meu gosto, mas eu estava lá para realizar minha fantasia, independentemente da aparência do cliente. O cara me respondeu
  • ‘Você dá o cuzinho?’ Fiquei maravilhada com a pergunta dele, meu cu até piscou e eu respondi:
  • ‘Bom, se voce tiver 200 Reais aí meu amor, eu dou tudo o que você quiser por uma horinha.’
  • ‘Ok, entra no carro’
    Ele seguiu direto para o motel mais próximo e assim que chegamos ao quarto, o cara me disse
  • ‘Tire suas roupas’ eu obedeci e em segundos estava nua, o cara deitou no chão e disse
  • ‘Eu quero que você sente na minha cara eu quero chupar sua bunda’ achei super estranho aquilo
  • ‘Mas você não quer que eu chupe seu pau primeiro?’ Ele respondeu
  • ‘Estou te pagando pra fazer o que eu mandar. Então senta no meu rosto.’
    Então eu obedeci, eu estava suando de andar na calçada por duas horas e chupar quatro pikas de quatro caras em seus carros, mas se era isso que ele queria, eu fiz. Ele começou a respirar pesadamente e a cheirar minha bunda. Ele chupou meu cuzinho e minha buceta como um homem desesperado, com as mãos ele abriu minhas nádegas e colocou o rosto entre minhas nádegas e chupou e lambeu a minha bunda como um homem desesperado. Isso me deixou com um tesão da porra.
    Só de pensar que aquele homem estava com tanta vontade de comer meu cuzinho daquele jeito era incrível. Meu marido nunca chupou o meu rabo daquele jeito, com tanta vontade, e aquele estranho estava chupando meu cuzinho como se fosse um sorvete de morango, eu gemia de prazer como uma louca, minha boceta escorria pra ele
  • ‘aaahhhhh… caralho tão bommmmm! ‘
    Abri a braguilha de sua calça e tirei seu pau, e para minha surpresa, aquele homem magro tinha um pau enorme de cerca de mais de vinte centimetros e bastante grosso. Quando peguei aquele caralhão na mão e comecei a punhetar, eu senti que o cara me deu um tremendo tapa na minha bunda e disse:
  • ‘Levanta porra.’ Eu me levantei, ele se levantou do chão e me disse
  • ‘Fica de joelhos vadia, chupa o meu pau’
    Obedeci e comecei a colocar e a chupar o pau dele na minha boca. Pau enorme, grosso, obviamente era maior e mais grosso do meu marido, eu tinha que fazer força pra esticar a minha boca pra caber tanto pau. Eu estava ansiosa por um pau, era o quinto que eu chupava aquela noite e eu queria muito meter. Ele afundava seu pau até as bolas me fazendo engasgar e babar tudo, minha saliva escorria pelo queixo, uma chupada desleixada, até que eu o ouvi me dizer:
  • ‘Chega… fica de quatro, eu quero te foder no cu.’
  • ‘sim senhor’ Eu respondi
  • ‘é assim que eu gosto, uma puta obediente!’ Ele me disse
    Eu me virei, e empinei minha bunda pra ele, pronta para receber seu pau na minha bunda. Eu estava bem molhada, e cheia de saliva, da chupada que ele me deu no cu, eu nem precisava de lubrificante. Mas quando lembrei da grossura do bicho, eu abri minha bolsa que estava no chão e peguei um gelzinho e empurrei com dois dedos na minha bunda e dei uma camisinha para ele.
    Olhei pra trás por sobre o ombro e vi o magrelo com o pau totalmente duro apontando para frente. Puta que o pariu aquilo ia me rasgar o cu, era mesmo algo de filme pornô. Senti encaixar nas pregas do meu rabo e em seguida fazer pressão. O cu esticou, uma dor aguda e, depois de um tempo senti a cabeça do pau dele entrar no meu ânus.
    Caralho… era muito grande e grossa, mas eu queria aquilo, há 9 anos eu só dava pro meu marido, então isso me excitou muito
  • ‘Aaaaah aaayyy ay ay ay uuff! dóóói porraaa’ Eu gemi pra ele, ele não me disse nada.
    Ele apenas continuou empurrando mais fundo na minha bunda. Eu vi estrelas e deu até uma vertigem, até que senti suas bolas peludas tocando na minha buceta depilada, e seu pau parecia que estava na altura do meu estômago.
  • ‘uuufff….’ eu expirei tentando acostumar com o enorme invasor
    De repente, ele começou a bombar com seu grande pau, e dar fortes tapas na minha bunda e dizia
  • ‘Caralho mulher… que bunda linda você tem!’
  • ‘Sua vadia, você gosta que eu empurre tudo na tua bunda?’ Eu responderia
  • ‘Sim senhor, mete tudo!’
    ‘PLAFT’ um forte tapa no meu rabo
  • ‘Cala a boca vadia… você quer pika?’ ele pediu enquanto bombava no meu cu
  • ‘Siiim…’
    ‘PLAFT’ outro tapa no meu rabo
  • ‘Então pede direito porraa…’
  • ‘Mete pau na minha bunda.’
    ‘PLAFT’ outro tapa mais forte ainda
  • ‘Pede direito cadela’
  • ‘Mete no meu cu… Senhor’
  • ‘Agora sim… kkk’ ele gargalhou e bateu de novo no meu rabo
    ‘PLAFT’
    Ele começou a me bater e bombar aquele monstro com muita força no meu cu, como um demônio entrando no cuzinho, gritei de prazer
  • ‘Ahhh! Sim, mete, me dá…. com força, que delícia fode o meu cu’
    Até que ele tirou a camisinha, pensei ele ia gozar, mas ele disse
  • ‘Venha vadia, chupa o meu pau de novo.’
  • ‘sim senhor’ eu disse
    E comecei a chupar. Ele tirava o pau da minha boca e com ele na minha cara, empurrava na minha boca de novo e fodia minha boca me fazendo engasgar. Depois de uns minutos assim, o meu cliente disse:
  • ‘Deite na cama!’ eu obedeci
  • ‘Assim não sua puta, aqui.. aqui na beirada vadia!’
    Ele me puxou pelas pernas de forma que fiquei com as pernas pra fora da cama com a bunda na beirada. Ele botou outro preservativo no pau e levantou minhas pernas para o alto em seu peito. Ele ficou em pé ao lado da cama e encaixou o seu pau no meu cu aberto, e enfiou o pau em um único tiro no meu cu, eu gritei de prazer
  • ‘ahhhh! Que pau gostoso você tem senhor’
  • ‘Caralho que cu apertado da porra sua vadia’
    Ele dizia que meu cu estava quente e suculento e bombava seu caralhão imenso em minhas entranhas. Minha cabeça girava de prazer a cada impulso, esse cara magrelo tinha um pau enorme e estava me fazendo sentir como uma verdadeira puta. Ele fodeu o meu cu por uns bons 15 minutos, e eu estava pingando suor, minha buceta escorrendo suco, com o prazer que meu cliente me dava. Até que ele tirou o pau derrepente, arrancou a camisinha, mirou seu pau para o meu rosto e começou a explodir.
    Ele esguichou sêmen por todo o meu corpo, desde a buceta pela barriga e peitos, até atingir o meu queixo e rosto. Seu pau era uma metralhadora de porra. Depois que terminou ele esfregou seu pau pela minha fenda. de cima embaixo e empurrou a cabeça no meu cu e disse:
  • ‘Uau, você é uma puta incrível. Você ganhou bem o seu dinheiro esta noite. Pegue a minha carteira ali.’
    Entreguei-lhe a carteira, ele tirou 2 notas de 100 e disse
  • ‘Aqui, e aqui você tem mais 50, por ter uma bunda tão gostosa’, agradeci.
    Fui ao banheiro, mas não me banhei, queria voltar pra casa suada e cheirando porra, como uma verdadeira puta e, me masturbar com meu vibrador até desmaiar na minha cama. Limpei o leite do meu rosto com uma toalha e disse
  • ‘Bem, obrigada por tudo, mas tenho que ir’.
    Meu cliente me levou até perto do local onde eu estacionei o meu carro, então tirei os sapatos e caminhei descalça pela calçada até chegar lá. Comecei a dirigir para casa, no caminho estava pensando em como sou uma puta, mas também em como é gostoso realizar uma de minhas fantasias. Eu tinha faturado um total de R$ 450, mas na verdade eu até teria pago pra me foderem daquele jeito.
    Imaginei como seria chegar em casa daquele jeito, suada, cheirando porra, fedendo a macho, e foder com o meu marido em nossa cama conjugal. Nãão… ele não aceitaria ser corno assim… Mal posso esperar até que meu marido volte a viajar para realizar minha próxima fantasia. Na proxima eu quero foder com dois rapazes ao mesmo tempo. Mas, isso será para a próxima.

Parte 12

Eu não sou gay…mas…

Eu já estava arrancando com o carro, mas então parei e olhei pra ele incrédulo.
– Como é que é? Que porra é essa?!

– Não me entenda mal, Biel. Você mesmo viu o que o Renan falou aquele dia do churrasco, a gente ta dando bandeira não ficando com mulher. Daqui a pouco vão desconfiar e eu não sei se to preparado pra isso. Você sabe que na profissão que eu escolhi tem muito preconceito com essa parada.
Eu respirei fundo e esfreguei meu rosto com as mãos. Pensei comigo mesmo: “Calma, Gabriel”.
– Bernardo, você achou que ninguém nunca ia descobrir? Que a gente nunca teria que lidar com isso?
– Eu sei Biel, mas eu não sei se agora eu to preparado pra isso. Eu amo você e ficar com garotas não ia mudar em nada isso. Meu coração já te pertence há muito tempo, seria mais fachada mesmo. Eu acho que não teria ciúmes de você com uma menina.
– Ah não? Você mesmo falou pra eu terminar com a Jackie e agora você acha super normal ficar com outras pessoas?
– Não são outras pessoas. Você tinha um relacionamento com ela. Pensei em ficar com uma menina aqui e depois de um bom tempo ficar com outra, mas sem qualquer tipo de envolvimento emocional.
– Bernardo, olha o que você ta falando! Caralho, não é certo usar as pessoas assim não. Se você não ta preparado, a gente da um tempo, sei lá. Na real, nem eu me sinto preparado pra todo mundo saber sobre a gente, mas eu não vou usar ninguém como fachada.
– Eu não posso Biel. Poxa, eu to pra conseguir um estágio importante com um médico renomado. Se a nossa relação vier à tona agora, me prejudicaria muito, mas isso não diminui em nada meu amor por você. Porra, a gente vai fazer um ano juntos. O melhor ano da minha vida.
Eu olhei pra ele pensando que eu não podia dizer o mesmo. O nosso relacionamento começou muito bem, com toda aquela paixão e amor represado por tanto tempo, mas com tanta ausência e falta de tempo, foi criando um abismo entre nós.
Eu liguei o carro e fui dirigindo, enquanto ele tentava em vão expor os seus motivos. Na verdade, eu nem estava ouvindo. Na minha cabeça passava um filme dos melhores e piores momentos do nosso relacionamento, no qual eu me esforçava pra lembrar só do que fazia manter aquela chama acesa dentro do meu coração.
No meio do caminho, ele desistiu de falar sozinho e ficou em silêncio. Parei em frente à casa dele e desliguei o veiculo.
– Ué, porque você veio pra cá? A gente não ia fazer algo diferente hoje, só nós dois?
– Bernardo, eu acho que a gente tem que dar um tempo e rever tudo. As coisas já não vêm caminhando bem há um bom tempo, eu acho que você está mais focado no seu futuro profissional do que em nós, eu acho até que você está certo, é o seu futuro, mas depois de hoje eu vi que não ta dando certo.
– Tempo? Por que? Porque eu falei que queria ficar com a tal garota? Não ia significar nada pra mim, meu amor, você sabe disso!
– Eu não sei de mais nada, Bernardo. Eu só sei que antes nós éramos duas pessoas apaixonadas, que só sabiam se amar e viver aquilo de forma plena e agora quase não se vê mais. Você ta mais preocupado com que os outros vão achar ou se isso vai prejudicar a sua carreira, do que com o que temos. Porra, a gente tem um compromisso, como que você me propõe algo assim?
– Gabriel, você ta sendo muito radical. Caralho, eu to falando de uns beijos sem importância e você fala como se fosse o fim do mundo. Eu acho que o que importa é o que a gente sente e eu amo você. Eu sempre amei e sempre vou amar. Você é o amor da minha vida e eu só quero preservar a gente de comentários maldosos.
– Não, Bernardo. Você quer se preservar. Cara, eu até entendo o seu receio, porque sinto o mesmo, mas nem por isso pensei em fazer algo assim.
Ele olhou pro lado e bufou frustrado. Fiquei em silêncio esperando ele sair do carro, para enfim poder seguir e digerir aquilo tudo.
– Você ta terminando comigo, é isso?
– Não sei… Eu nem sei dizer se estamos juntos ou não. Vamos fazer o seguinte: Vamos pensar direito, você coloca na balança as suas prioridades e eu reflito também sobre tudo isso. Ok?
Ele olhou pra mim e depois pra janela. Soltou o ar pesadamente e por fim falou:
– Tudo bem…
Abriu a porta do carro e saiu. Eu apertei com força o volante, respirei fundo e parti novamente com o carro. Mesmo dirigindo a esmo, o meu caminho foi certo. Estava precisando conversar e ninguém melhor que o Kadu. Durante o trajeto, o radio tocava uma musica do Vitor e Léo que depois vim a saber que se chamava “Lágrimas” e por incrível que pareça fazia todo o sentindo naquele momento.
“Tantos planos, tantos sonhos
Tantos erros, era cedo.Foi tão simples, me pergunto
Nesse jogo, quem saiu perdendo?Não procure lágrimas no meu olhar
Eu não vou perguntar o que aconteceu
Seus olhos dizem tudo que eu preciso ouvir
Mas não vejo em você o que está em mim.
Mil desejos, fantasias,
Segredos sentimentos,
Perdidos no tempo
As lembranças, os momentos
E lágrimas choradas jogadas ao vento”
Parei em frente ao seu prédio e interfonei. Ele atendeu e me pediu pra subir.
Abriu a porta vestindo uma bermuda, que estava semi aberta, os cabelos levemente encaracolados, estavam bagunçados conferindo-lhe um ar jovial e maroto, e o sorriso… ah sorriso era aquele que eu já conhecia.
– Fala cara, e ai? Tudo bem? Pelo visto não, né?
– Ah…Porra Kadu, é foda! Eu já não sei..
Eu ia falando, mas então eu vi uma garota aparecer na sala. Eu fiquei em silêncio, meio espantado e olhei pra ele.
– Ah, essa é a Luiza, uma amiga de longa data. Ela já tá de saída, não se preocupa.
Ele falou na tranquilidade de praxe e a garota só concordou com a cabeça sorrindo. Saiu dando um selinho de leve nele e ele fechou a porta em seguida. Foi na geladeira, pegou duas long necks de cerveja e trouxe até a sala.
– Cara, que merda! Empatei a sua foda. Putz..eu podia voltar outra hora, sei lá.
– Que nada Biel, de boa. Já tinha terminado e a Luiza é de casa, vamos dizer assim. Você nunca me atrapalha. O que houve?
Ele falou, sentando-se no sofá. Sentei do lado dele e contei tudo que tinha acontecido. O Kadu, por ser meu amigo, sabia que as coisas não estavam as mil maravilhas, mas eu mesmo evitava entrar em detalhes com ele. Sempre fui muito reservado e isso é uma característica minha. Falei de toda a conversa que tivemos no carro e de onde eu o tinha encontrado, enfim, desabafei. Ele ouvia tudo atentamente, entre um gole ou outro, sem me interromper. Por fim, falou:
– O raciocínio dele ta certo. Claro que seria muito mais fácil pegar umas minas por ai e manter a relação de vocês intacta, mas nem todo mundo consegue fazer isso.
– Porra, Kadu! Qual é? Isso é…sei lá.. como eu ia ver a pessoa que eu namoro com outra? E mesmo se não visse, eu saberia.. não dá.. Você faria algo assim?
– Faria se eu não tivesse apaixonado. Vocês tem um compromisso, coisa que não faço nunca. Eu nunca namorei com ninguém porque eu gosto de ter essa liberdade de ir e vir e quem se relaciona comigo sabe disso. Eu te entendo e até entendo ele, mas não acho certo.
– Eu também entendo ele, eu sei que dá medo, que é foda ser apontando, ser alvo de fofoca, de fuxico, de ter uma monte de gente te julgando, mas ai sair beijando outras bocas, usando as pessoas…não dá.
– Isso é imaturidade Biel, ele que ir pelo caminho mais fácil, ta querendo ser prático. Coisas do coração não são práticas. Bem pelo contrário, complicadas até demais. E agora? Como você estão?
– Não estamos.. Sei lá, falei que achava melhor a gente dar um tempo e pensar melhor nisso tudo, já que ta tudo tão estranho.
– Tempo? E existe isso?
– Ah sei lá, Kadu! Porra, foi só o que me veio na cabeça na hora. Eu não se eu termino ou se eu insisto. Eu não sei, entende?
– Claro que eu entendo, cara. Olha, relaxa, que tudo se resolve, ta?
– Acho que tenho que aprender com você né?
Eu ri meio sem vontade. Ficamos bebendo e conversando até tarde da noite. Quando já estava me sentindo melhor e mais tranquilo quanto a tudo, voltei para a casa. Antes mesmo de entrar pelo o portão, o vi sentando na calçada.
– O que você ta fazendo aqui, Bernardo?
– Eu acho que a gente tem que conversar. Onde você estava?
– Eu não te falei pra gente dá um tempo?
Eu falei entrando em casa, mas ele veio atrás.
– Onde você estava Gabriel?
– Para com essa merda Bernardo, você sabe que me irrita esse seu tom.
– Foda-se se te irrita. Eu sei muito bem onde você estava e não precisa ser vidente pra saber que você estava com o Kadu. O que foi? Já foi me dar o troco por algo que eu nem fiz?
– Para de falar merda, Bernardo! O Kadu é meu amigo. Estava lá conversando com ele, sim. Não transfira os nossos problemas pra ele, porque ele não tem culpa de você estar querendo ficar com outras pessoas.
– Eu te expliquei muito bem o que eu quero e porque eu quero isso. Não interferiria em nada no nosso namoro. Não envolveria sentimentos. Sabe o que eu to achando? Que você só quis esse tempo pra ter uma desculpa pra correr pros braços do seu amiguinho, que devia ta louquinho pra te consolar, né?
– Seu idiota!
Eu esbravejei, empurrando-o com força, fazendo ele quase cair no chão.
– Olha aqui, Bernardo! Eu não preciso de desculpa nenhuma. Se eu quiser o Kadu, não preciso inventar porra nenhuma. Sou homem o suficiente pra assumir o que eu faço. Você não quer um tempo?
– Eu nunca quis tempo nenhum!
– Então, tudo bem. Sem tempo. Acabou.
– Hã?!
– É isso mesmo, Bernardo. Pode ficar com quem você quiser, não precisa mais se preocupar com a sua reputação. Você ta livre! Assim como eu. Acabou!
Eu disse, fechando o portão na cara dele. Entrei em casa espumando de raiva e fui direto pro chuveiro. Ao deitar na cama, pensei em tudo aquilo. Era difícil acreditar que tinha acabado daquela maneira, que aquele quarto que foi palco de tantas cenas apaixonadas de amor, agora mais parecia um tablado vazio, sem cor. A cama que eu estava deitado, já tinha sido um ninho de momentos tórridos e carinhosos, agora parecia enorme, até mesmo pra mim.
O que eu podia fazer? Não tenho vocação nenhuma para viver uma historia de solidão a dois, muito menos fazer teatrinho pra ninguém. Eu tinha vários motivos pra não querer que alguém descobrisse o nosso namoro e não me agradava nem um pouco ter minha intimidade exposta dessa maneira, mas nunca envolveria terceiros nisso.
É, acabou. Como uma historia bonita que acaba com “Vivemos felizes para sempre”, só que meu final feliz não tinha chegado como eu desejava. Na vida real não existe o príncipe encantado e este, eu mesmo estava longe de ser. Todos nós somos pessoas de carne e osso, que erramos e muitas vezes deixamos de ser o ideal para o outro. Isso tudo é muito bonito na teoria, mas a realidade é que dói. Tantos momentos, tantos sonhos, tanto querer se perder assim, como agua se esvaindo das mãos sem que a gente possa fazer nada. Adormeci em meio às lembranças e ausência que já me rondava, mas que agora tinha se instalado ali.
No dia seguinte acordei e havia uma mensagem no meu celular:
“Eu nunca te enganei. Sempre fui sincero com você e expus o porquê de eu querer fazer aquilo e se você não concordava, era só ter me falado e não ter terminado da maneira que você fez. Será que eu posso esperar a mesma sinceridade de você? O será que tudo isso não foi a desculpa perfeita pra você fazer o que sempre esteve afim de fazer? Quantas vezes você e ele em situações suspeitas? Pode correr pro seu ombro amigo. Ombro, braço, perna e sabe lá mais o que. Você ta livre. Seja Feliz.”
Eu li aquilo com raiva e ressentimento. Quase um ano de namoro, pra terminar dessa maneira. Peguei o celular e respondi:
“BABACA”
Curto e grosso. Era assim que ele estava se comportando. Tudo que eu tinha pra falar, eu já tinha dito no dia anterior. Não ia ficar gastando o meu latim pra ficar justificando algo que não tinha cabimento. Ele que pensasse o que ele quisesse. Eu nunca dei motivos pra desconfiança e não ia ficar dando ibope pra isso.
Os dias foram passando, se transformando em semanas. Eu afundei a cara no trabalho e passava a maior parte do tempo ocupado. Não tinha tempo pra fazer quase nada e nos fins de semana estava cansado demais pra sair. A verdade é que eu não estava nem um pouco afim de me divertir. A ferida estava novamente aberta.
Numa sexta feira, eu estava chegando em casa exausto de mais um dia de trabalho e quando olhei meu celular tinha várias mensagens do Kadu, me pedindo pra passar na sua casa. Respondi dizendo que não ia dar, mas com a ausência de respostas dele, me obriguei a ir. Respirei fundo, revirando os olhos em descontentamento e toquei o seu interfone.
– Eu só interfonei pra dizer que não vim e estou voltando pra casa.
Eu disse rápido.
– Para de bobeira, sobe ai.
Ele disse destravando o portão. Revirei novamente os olhos e entrei. Apertei a campainha e ele atendeu com calça de capoeira, dorso nu, levemente suado e um sorriso maroto no rosto.
– Não me odeie, a tática foi necessária.
– Não achei graça nenhuma, podia pelo menos ter me respondido. O que foi?
Eu disse entrando no apartamento.
– Vai ter aquele show irado lá na hípica. Você prometeu que quando a banda viesse à cidade a gente iria. Sem desculpas agora.
– Ah Não, Kadu. Nem to no clima. Ainda por cima, olha como eu to. To vindo da academia.
– Ta gato como sempre. Ah para, Biel. Você ta parecendo um bicho do mato. Esse seu luto tem que terminar, cara. A vida ta aí pra se viver e ela não espera não. Bora, eu vou te emprestar uma roupa.
– Não…
– Não é o caralho. Pára. Vai ser divertido, eu te prometo. Eu vou fazer ser foda. Confia?
Ele disse com um sorriso tão grande, que eu não soube recusar mais. Talvez estivesse na hora de sair um pouco e espairecer.
– Tudo bem, mas será que o Bernardo vai? Eu não quero encontrar com ele.
– Olha, eu mesmo vi com a galera de ir geral, mas ninguém vai poder. Você era a minha ultima esperança. Sozinho eu acredito que ele não vai. Além disso, ele nem tem vida direito, tá sempre ocupado demais. Acho que não vai, não.
– Ta bom, me empresta uma toalha.
Ele me deu uma toalha e eu fui pro chuveiro. O colega dele de apartamento estava viajando com a namorada e eu não precisava ter medo ser surpreendido por ninguém estranho. Sai do banheiro enrolado na toalha e fui até o quarto dele.
– Olha, vê ai no armário o que você quer vestir. Pode pegar o que quiser. Eu vou tomar banho também.
Ele disse e saiu do quarto. Fui até o armário, ainda com toalha enrolada na cintura e comecei a ver o que ele tinha lá. Calça jeans nem pensar. Além de ficar curta em mim, pois sou mais alto que ele, iria ficar muito justa em mim. Bermuda, ok. Escolhi uma que me pareceu maior que as outras e fuçando mais um pouco, achei um pacote de cuecas novas. “Rá, perdeu playboy” pensei. Peguei uma boxer branca e vesti. Um pouco apertada, mas tudo bem. Parti então para a bermuda. Ficou um tanto quanto justa, o que me incomodava bastante e enquanto eu estava ajeitando a mala assim e assado ele voltou pro quarto. Parou e olhou fixamente para mim.
– Nossa.. serviu, né?
– Serviu é caridade sua. Olha como tá isso, atochada.
– Ta uma delicia, isso sim.
Ele disse sorrindo e apertou de leve o pau por cima da toalha, disfarçando e virando de costas.
– Para de frescura e escolhe uma blusa ai.
Ele falou ainda de costas pra mim.
O Kadu com vergonha era estranho até pra mim. Fiz o que ele pediu e escolhi uma blusa preta com gola em V que ficava bem com a bermuda clara. Ficou igualmente justa, mas blusa eu já estava mais acostumado a usar assim, até as minhas ficavam.
Sentei na cama e fiquei mexendo no celular. Ele foi até o armário, ficando de costas pra mim e deixou a toalha cair no chão. Foi impossível não olhar para as costas úmidas e com músculos levemente desenhados que apareciam enquanto ele procurava uma roupa. A bunda lisa e redonda era mais clara que o resto do corpo e mais parecia um monumento de tão perfeita.
Eu me esforçava pra desviar os olhos e me concentrar no celular, mas estava completamente hipnotizado. Lentamente ele vestiu uma cueca azul marinho, depois uma calça jeans clara e surrada e por fim uma blusa branca básica. Colocou um tênis e olhou pra mim.
– E ai, ta bom assim?
Eu me assustei com a pergunta, pegando o travesseiro e colocando no colo, para depois responder:
– Sim, sim. Ta bom.
– Então vamos?
Eu sabia que o volume naquela bermuda justa que eu estava usando devia estar medonho e eu não podia nem pensar em levantar agora.
– Não. Marca um dez ai, eu to com câimbra.
– Câimbra?
– É. Pega uma agua pra mim?
Ele me olhou de um jeito estranho, interrogativo, mas foi. Na hora eu levantei e corri pro banheiro. Tranquei a porta e me debati, joguei uma agua gelada no rosto e por fim o bichão começou a sossegar.
– Biel, você ta bem?
Ele perguntou batendo na porta.
– To. Já saio.
Depois de alguns minutos, eu sai do banheiro como se nada tivesse acontecido.
– Vamos.
Eu disse pra ele, já me encaminhando pra porta da rua e ele não teve outra alternativa do que me seguir.
Chegamos ao local e a fila estava imensa. Tinha bastante gente e alguns rostos conhecidos. O Kadu já tinha conseguido os ingressos e só aguardávamos pra entrar. Ainda sim, tinha muita gente tentando fazer o mesmo. Quando olhei pro lado, reconheci um rosto que eu não desejava ver. O Bernardo estava abraçado com uma garota, sorrindo completamente inconsciente da minha presença. Meu corpo gelou e meu sangue parecia que estava parando nas minhas veias. Então…

Parte 11

Não sou gay…mas…

Naquela noite, achei que o Bernardo estava um pouco mais solto que o normal. Ele não estava só olhando como costumava a fazer, mas começou a conversar intimamente com uma garota que estava no local. Fiquei na mesa, só de olho. Não ia fazer uma cena, nem nada do tipo porque isso nunca combinou comigo. Porém, era só olhar para minha cara para ver que tinha alguma coisa errada.
Já tinha mais ou menos se passado uma hora enquanto ele conversava com a tal garota, entre risinhos e cochichos, até que me levantei e me encaminhei à saída em silêncio. Paguei a minha parte da conta e estava me dirigindo ao carro, quando ouvi o Kadu me chamar.
– Não ia se despedir de ninguém, não?
– Foi mal, Kadu. Cabeça cheia, é melhor eu ir pra casa.
– Não ta esquecendo nada não? Tá deixando sua bagagem ai.
Ele disse ironicamente se referindo ao Bernardo.
– Acho que sou eu que to sobrando.
– Por que? Você nunca sobra em lugar algum. Eu to aqui, não to?
Eu dei um sorriso e o abracei.
– Valeu Kadu, mas eu vou nessa. Depois a gente se fala, ta?
Ele ainda fez um beicinho, mas concordou. Eu entrei no carro e fui direto pra minha casa. Estava tudo escuro e o resto da família estava dormindo. Chegando ao quarto, me apressei em tirar a roupa e entrar debaixo do chuveiro. Um banho sempre é bom pra relaxar, esfriar a cabeça. Quando sai, enrolado na toalha e sacudindo o cabelo, dei de cara com o Bernardo sentando na minha cama.
– Porra, que susto!
– Por que você me deixou sozinho lá?
– Você já estava acompanhado.
Eu disse virando as costas e indo ao armário pegar um short.
– Vai me dizer que sentiu ciúmes daquela garota?
– Não sei se é ciúmes ou se achei falta de respeito da sua parte.
– Eu não fiz nada, só estava conversando com ela. Normal, ué.
Eu tirei a toalha e ia colocar o short, mas senti suas mãos em mim. Tentei sair, mas ele me segurou com força, beijando minhas costas, enquanto suas mãos apertavam a minha barriga.
– Olha pra você. É perfeito. Eu nunca te trocaria por garota nenhuma. Eu sou louco por você.
Eu virei de frente pra ele e olhei bem nos olhos dele.
– Promete?
– Claro que sim.
Puxei ele pela nuca e o beijei com fome. Ele correspondeu, arranhando minhas costas, enquanto minhas mãos se livravam da sua roupa. Quando a ultima peça de tecido caiu no chão, eu o joguei na cama e em poucos minutos já estava dentro dele, fodendo-o com força, lhe arrancando gemidos altos que eram abafados com meus beijos. A cada estocada, seus olhos se reviravam e eu segurei as suas mãos para que pudesse torturar ele ao máximo. Acelerava os movimentos do quadril até que ele ficasse louco e depois diminuía, me ondulando devagar por cima dele.
Ele tentava soltar as mãos para se tocar, mas eu segurava mais forte e voltava a aumentar as investidas, cada vez mais rápidas e intensas. Assim foi durante muito tempo, a gente já estava suado e sem folego, mas totalmente entregues ao momento. Voltei a foder com força, cada vez mais rápido e fundo, fazendo os corpos estalarem um no outro. Já não estava mais conseguindo segurar o orgasmo que se aproximava, então ele começou a gemer mais alto, quase gritando:
– Ahhhh vaaaiii aaaahhhhhh caralhooo aaahhhhh naaaoo paraaaaa aaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh
Senti um jato quente me atingindo a barriga, seguido de outros, ao mesmo momento que senti meu pau latejar soltando litros de porra dentro dele. Olhei para ele e ele estava com os olhos fechados bem apertados, o rosto vermelho pingando suor, os dentes trincados. Seu corpo tremia violentamente, juntamente aos meus espasmos e a um coração que batia descompensado.
Deitei ao seu lado, tentando recuperar o folego. Senti-o sem aconchegando a mim, ainda tremulo.
– Caralho, você viu isso? Eu não me toquei…nossa…que foda! Como você fez isso?
– Sei lá..
Eu consegui responder, ainda sem ar. Tomamos banho e ele acabou dormindo lá em casa. Para minha mãe isso era normal, fazíamos isso desde moleques, só não sei como ela não acordou com tamanha barulheira.
O tempo foi passando.
O Bernardo progrediu na faculdade de medicina e iniciou um projeto social aos fins de semana que resultou numa total falta de tempo. A gente nunca conseguia se ver e o que eu achei ser passageiro, tornou-se uma rotina. Sentia a sua falta, mas procurava incentiva-lo e apoia-lo, pois sabia que era uma profissão de suma importância, que precisava de muita dedicação.
Meus dias se resumiam em faculdade, academia e casa. Dava meus treinos e por conta da ausência do Bernardo, aumentei minha carga horária. Às vezes saia com meus amigos, mas quase sempre sem ele.
Era raro conseguirmos passar algumas horas juntos e tentávamos aproveitar como dava. Ele sempre estava cansado demais e quase sempre dormia enquanto estava comigo. Com isso nossa relação esfriou bastante. Distanciamo-nos, porém sempre achei que todo relacionamento é assim mesmo, tem fases e fases. Ele estava se preparando pra um futuro, construindo uma carreira e eu tinha que estar ao lado dele, da melhor maneira que eu podia.
Nesse ritmo se passou quase um ano.
O Kadu tinha alugado um apê com um colega dele de faculdade e chamou os amigos para o open house na área comum do prédio. Avisei ao Bernardo com dois dias de antecedência, mas isso não adiantou nada. Ele não queria ir, mas não queria que eu fosse só, então acabou concordando em me acompanhar.
É claro que no dia ele esqueceu- se da confraternização, me deixando muito irritado. Liguei várias vezes pro celular dele, que só estava fora de área. Mandei várias mensagens e por ultimo pedi que ele me encontrasse lá.
Cheguei ao endereço bem atrasado e quando o Kadu me viu, seu rosto iluminou-se num sorriso.
– Porra, achei que não vinha mais! Cadê o mala?
– Ele vai vim mais tarde. Parabéns, Kadu! To tão feliz por você!
Eu o abracei forte, mostrando o quanto aquela realização dele era importante pra mim. Ele retribui o abraço e falou:
– Liberdade!!! Nem acredito! Depois te mostro o apê. Vem, pega alguma coisa pra beber ai.
Sentamos numa mesa e ele me apresentou o tal colega da faculdade, que também tinha convidado alguns amigos para o churrasco.
– Ei Kadu, rola alguma coisa entre vocês?
Perguntei cheio de curiosidade.
– Quem?
– Você e esse colega da facul que você vai morar.
– Ah não. Não rola nada não, é só amizade mesmo. Ele tava procurando alguém pra rachar um teto e a gente se da super bem. Ele tem namorada.
– Ah ta, sei qual é.
– Ciúmes?
– Ah para, né Kadu?!
Eu disse, empurrando ele e rindo em seguida. O clima estava descontraído e alegre. A musica rolava alta e sol já tinha se posto. Já era noite e toda hora eu olhava no relógio, mas nada do Bernardo chegar.
– E ai, bora lá conhecer o apê?
O Kadu perguntou animadamente.
– Ta, tudo bem.
Eu respondi um pouco inseguro. Quando estávamos atravessando o hall pra pegar o elevador, o Bernardo entrou pela portaria e nos olhou de cara feia.
– Pra onde vocês estão indo?
– Nossa, você demorou.
Eu falei me aproximando dele.
– Eu tinha esquecido completamente. Fiquei preso lá no projeto, mas agora eu já estou aqui.
Ele disse olhando para o Kadu.
– Ah, jura? Nossa Bernardo, nem tinha percebido.
Ele devolveu a provocação, revirando os olhos e eu intercedi antes que pudesse sair alguma confusão.
– O pessoal ta lá atrás, vamos?
Eu disse, meio que arrastando o Bernardo para a churrasqueira do prédio. Sentamo-nos à mesa e depois de um tempo o clima estava descontraído de novo. Tinha uma galera que tocava ukulele e carron e nossos amigos como sempre estavam falando de mulher na mesa. A gente ria, opinava, mas não passava disso. Um amigo nosso, que conhecemos desde moleques também, virou em nossa direção e falou:
– Vocês dois que eu vou te contar hein? Mais devagar impossível. Faz séculos que eu não vejo vocês pegarem ninguém. Acho que a Jackie te jogou uma macumba, Biel. Acha, não?
– Nada a ver, Renan. Não é porque eu não fico me agarrando na frente de vocês que eu deixo de pegar.
– Ah sim, você sempre foi “come quieto” mesmo, demorou uma cara pra assumir a Jackie, mas e você Dado? (Dado era um apelido do Bernardo pelo qual chamavam ele).
– Eu o que?
– Você era pegador, cara. Desde que voltou dos “States” não pega ninguém. O que foi? Deixou o coração com alguma americana?
Achei que o Bernardo fosse responder tranquilamente, como eu fiz, mas ele travou. Ficou sem fala e terrivelmente sem graça. Os garotos entenderam que ele teve sim alguma paixão no exterior e não queria falar a respeito. Nós dois sabíamos que não se tratava disso. Eu olhei pra ele e perguntei:
– Ta tudo bem?
– Ta sim.
Ele respondeu, forçando um meio sorriso e voltou a ficar sério. O resto da noite ele ficou estranho, não interagia com os outros na mesa, nem parecia estar se divertindo.
– Vamos embora? Eu to tão cansado.
– Tudo bem.
Eu respondi a ele e fui me despedir das pessoas. Entramos no carro e eu perguntei se ele queria dormir lá em casa, mas ele negou alegando que preferia ir para a sua casa para poder descansar melhor. No dia seguinte iria acordar cedo para mais um dia de projeto.
Fiquei um pouco chateado, mas ultimamente isso era normal. Parei com o carro na frente da sua casa e antes que ele pudesse sair do carro, eu falei:
– Be, a gente precisa conversar.
– Tem que ser hoje, Biel? Eu to tão cansado.
– Ai que está Bernardo, você ta sempre cansado. A gente não tem mais tempo um pro outro. Quando você espera ter essa conversa com a agenda que você tem?
Ele se acomodou no banco, virando de frente pra mim e falou:
– Tudo bem, o que você quer conversar?
– Eu quero saber o que está acontecendo. Eu sei que medicina é curso foda e que toma muito tempo. Eu sei que você tá engajado nesse projeto e acho muito nobre da sua parte, mas eu quero saber se tem mais alguma coisa. Tem?
– Não entendi. Tem o que?
– Tem mais alguém?
– Claro que não. Eu não tenho tempo pra porra nenhuma, como você pode pensar nisso?
– Como? Quando foi a ultima vez que fizemos amor? Que nos beijamos até? Eu mal te vejo. Poxa, a gente vai fazer um ano de namoro. Eu pensei da gente fazer algo legal, viajar, passar um tempo só nós dois.
– Eu acho ótimo, só tem que ver se eu vou ter tempo. Vamos fazer assim, amanhã eu já organizo algumas coisas e vejo se consigo tirar uma semana, ta bom? E amanhã, podemos passar o resto dia juntos, me pega lá na sede. Pode ser?
– Tudo bem, eu passo lá no final da tarde.
Nos beijamos e cada um foi pra sua casa. No dia seguinte, me arrumei e fui pegar ele. Já tinha planejado fazer um programa legal, jantar e depois passar a noite juntos, para que isso nos reaproximasse e quem sabe melhorasse as coisas entre nós.
Parei quase em frente à sede que ele tinha o projeto, em uma comunidade mais humilde da cidade e fiquei esperando por ele. Quase meia hora depois, nada dele sair. Então olhei para a esquina e vi um grupo de pessoas sentadas na mesa de um boteco e o reconheci no meio delas. Ele estava bebendo cerveja, rindo animadamente com mais três garotas e um cara.
Sai do carro e fiquei olhando em direção a eles. A garota ao lado praticamente se jogava pra cima dele, sendo muito bem amparada pelo mesmo, que esbanjava charme ao grupo. Eu estava usando um boné virando pra trás e óculos escuros, então eu virei o boné pra frente, cruzei os braços no teto do carro e fiquei só olhando.
Depois de um tempo, ele me viu parado ao lado do carro, se despediu sorridente das pessoas e foi ao meu encontro.
– Nossa, eu não tinha te visto. Ta há muito tempo ai?
– Tempo o bastante.
Entrei dentro do carro e liguei o motor. Ele entrou no veiculo e estava colocando o cinto quando falou:
– Você podia ter me avisado, ué. Mandado uma mensagem ou ter ligado.
– Não quis atrapalhar a sua diversão. Achei que sua falta de tempo era geral e não só comigo, mas estou revendo os meus conceitos.
– Nada a ver, Biel. É que acabou antes do previsto e como eu já tinha que te esperar, eles chamaram pra tomar uma cerveja e eu topei.
– Tudo bem, Bernardo. Eu não vou discutir. Nem mesmo por causa daquela garota que tava praticamente sentada no seu colo.
– Exagerado. Ela é uma colega, bem gata aliás, né?
– Não reparei, mas se você acha tão gata assim por que não fica com ela?
Falei meio irritado e também fazendo um charminho, pois queria o ouvir falar que não existia ninguém além de mim. Às vezes é só isso que a gente precisa ouvir pra ficar tudo bem aqui dentro. Eu sempre fui ciumento, mas não com qualquer besteira, porém todo aquele distanciamento estava gerando uma insegurança em mim que com um pouco de carinho logo se dissiparia. Porém ele olhou pra mim e falou:
– Na real, eu já pensei nisso.
– Hã? Pensou em que?
– Em ficar com ela. Na real, eu quero isso.

Parte 10

Eu não sou gay…mas…

Esfreguei os olhos e mais uma vez olhei ao redor do quarto. Ninguém. Levantei ainda nu e fui até o banheiro. Nada, vazio. Olhei no espelho e novamente vi as mesmas marcas no meu corpo que já estiveram ali num passado não tão distante. Lavei o rosto e voltei a olhar no espelho.

“Ele deve estar lá embaixo, só pode”.
Pus um short e desci as escadas, esperando encontrá-lo na sala ou na cozinha, mas não havia ninguém. Um frio de medo e desespero me percorreu a espinha quando constatei que mais uma vez a historia se repetira.
Fiquei parado no meio do recinto, sem conseguir me mover porque minhas pernas tremiam sem que eu pudesse controlar. “Eu não acredito nisso…” era só o que eu conseguia repetir mentalmente pra mim mesmo o tempo todo.
Depois de um período, não sei ao certo quantos minutos tinham se passado, a porta se abre.
– Oh, você já levantou? Eu acordei faminto e fui à panificadora comprar pão e quase trouxe o lugar inteiro rs. Café da manhã reforçado, nós merecemos né?
Ele falou, entrando cheio de sacolas com um enorme sorriso no rosto. Foi caminhando até a cozinha, deixando as sacolas na mesa da copa. Depois foi tirando item por item dos sacos plásticos, tagarelando sem parar.
– Seu estraga prazeres, eu ia fazer tudo sozinho e te levar na cama. Minha omelete é muito boa, sabia? Aprendi no Estados Unidos direto da fonte, mas lá era muito pesada a comida. Comprei coisas mais saudáveis e gostosas. Você ainda gosta de suco de laranja, né? Espero que sim porque eu comprei um litro. Nossa, comprei um bolo de chocolate que deve tá uma coisa.
Então, perante o meu silêncio, ele parou de falar e olhou pra mim.
– O que foi Biel? Tá branco. Você tá passando mal, o que foi?
Eu sai do meu entorpecimento e sentei no sofá. Ele veio até mim e sentou do meu lado. Passou a mão no meu rosto sentindo a temperatura e depois segurou meu pulso. Já estava aferindo a minha pulsação, quando falei:
– Eu to bem.
– Então o que foi?
Ele perguntou preocupado.
– Eu achei que tinha acontecido de novo… Que você tinha ido embora.
– Oh meu amor, não. Claro que não. Eu nunca faria isso de novo. É que a geladeira estava meio vazia e resolvi te fazer uma surpresa. Não sabia que você ia acordar tão cedo. Me desculpa, ta?
Ele disse me abraçando em seguida. O abracei com força, sentindo seu perfume e então meu coração se aquietou. Fomos nós dois pra cozinha e começamos a preparar o café.
Ele bateu os ovos e começou a fazer as omeletes, enquanto eu cortava o bolo. Ele marotamente sujou o dedo com chocolate e passou no meu nariz, logo estávamos com a cara toda melada de cobertura. Puxei-o e o beijei com fogo, engolindo a sua boca enquanto minha língua se enroscava na sua.
Segurei a sua cintura e o suspendi, colocando-o sentado em cima da pia, enquanto nossas mãos já percorriam nossos corpos de forma ávida. Eu abri sua calça e minha mão sentiu sua rigidez, ao mesmo tempo em que ele se livrava do meu short. Tirei sua blusa e colei minha boca no seu pescoço, descendo pelo peitoral, até que tocou a campainha.
Eu dei um pulo tão grande de susto que derrubei uma xícara no chão. Apressei-me em vestir novamente o short, enquanto ele também se recompunha.
– Caralho, quem será logo de manhã?
Ele perguntou irritado, abotoando de novo a calça.
– Não sei, vou lá ver.
Eu disse, me encaminhando pra sala. Passei a mão nos cabelos numa tentativa inocente de me alinhar e abri a porta. Vi o Kadu parado ao lado do portão, vestindo uma bermuda, blusa e um boné pra trás. Sorri ao vê-lo e até respirei aliviado porque por um instante eu pensei que fosse minha mãe voltando do interior.
– Entra ai.
Eu falei pra ele, que entrou em seguida.
Ele veio até a mim, me abraçando forte, quase me levantando no ar.
– Porra, cara! Se Maomé não vem até a montanha a montanha não vai a Maomé. Tempão que eu não te vejo. Humm, ta animadinho hein, senti. Hahaha. O que isso no seu rosto, chocolate?
Ele disse passando a ponta da língua na minha bochecha.
– Que porra é essa?!
O Bernardo perguntou furioso, parado no portal da porta, sem camisa e com o cabelo desarrumado.
– Uoowl! Que susto! Eu não sabia que você tava ai.
O Kadu disse assustado, se afastando de mim imediatamente.
– Pois é, eu estou. Dá pra explicar que palhaçada foi essa?
Eu resolvi contemporizar antes que saísse confusão entre os dois.
– Podem parar vocês dois. Não tem necessidade nenhuma disso.
– É Bernardo, se acalma. O Biel ta inteiro, não arranquei nenhum pedaço não.
O Kadu falou com aquele sorriso provocador que só ele sabia dar. Olhei com reprovação a ele e falei:
– Quer tomar café da manhã com a gente, Kadu?
– Não, não. Passei só pra ver se você tava bem, mas já vi que você ta ótimo rs. Depois passa lá em casa, falow?
– Tá bom.
Ele deu uma piscada para o Bernardo e foi embora. Entramos nós dois e lá dentro ele explodiu:
– Caralho, que moleque insuportável!
– Que isso Be, é o Kadu cara, ele é assim desde sempre. Você não achava isso antes. Sempre achou divertido esse jeitinho maroto dele.
– Antes eu não via ele se derretendo por você. Porra, ele passou a língua no seu rosto! Você quer que eu ache isso normal? Se fosse um cara que fizesse isso em mim, como você agiria?
– Você fez pior Be, contratou um garoto de programa. Olha, vamos parar? Eu não quero brigar, a gente nem tomou café da manhã ainda. Eu to faminto.
Ele respirou fundo e voltou para a cozinha emburrado. Colocamos as coisas na mesa e quando ele foi pegar o suco, eu o abracei por trás e mordi sua orelha.
– Sabia que você fica uma gracinha bravo? Um tesão. Olha só como eu fico.
Eu disse segurando a sua cintura, pressionando meu pau duro na sua bunda. Ele jogou a cabeça pra trás e mordeu os lábios, falando roucamente.
– Você é muito safado.
Em questão de minutos, as poucas peças de roupas que usávamos já estavam no chão. Ele ficou debruçado sobre a pia, enquanto meus dentes arranhavam sua nuca e minha rola o penetrava devagar. Tentei ser delicado, pois sabia que ele ainda estava dolorido da noite anterior, mas o tesão estava no auge. Ele reclamou de dor, gemendo e apertando os olhos, mas não demorou muito eu já estava todo dentro dele. Ele mesmo forçava o quadril pra trás querendo mais e eu dei muito mais a ele.
Fizemos amor ali mesmo, em pé em meio à comida. A estocadas firmes e ritmadas nos levaram ao orgasmo alucinante depois de alguns minutos.
Algum tempo depois, já restabelecidos e saciados de prazer, sentamos a mesa para tomar enfim a primeira refeição do dia. Nós devoramos os alimentos como dois desesperados, mantando a fome que nos consumia. Só depois de estarmos empanturrados que conseguimos conversar.
– Sério, Biel. Eu não gosto dessa sua proximidade com o Kadu. Ele perde a linha, cara.
– Ele é meu amigo e foi ele que me convenceu a te procurar. Ele tem esse jeitão palhaço, mas é um parceiraço. Me ajudou muito quando você foi embora e eu não vou abrir mão dele.
– Merda. Já vi que vou ter que aturar esse otário, mas ele que não banque o espertinho pra cima de ti. E a Jaqueline? Você não vai continuar com ela agora que estamos juntos, né?
– Não. Não seria justo com nenhum de nós. Vou hoje mesmo conversar com ela e colocar um ponto final na nossa relação. Eu sei que vai ser difícil, mas é preciso.
Eu disse um pouco sério, pois sabia o que me aguardava. Ele segurou a minha mão e disse:
– Eu to com você, vai dar tudo certo.
O telefone tocou e era a minha mãe, querendo saber se estava tudo bem e avisando que iria ficar mais uma semana lá. Perguntou se eu iria sobreviver. Olhei marotamente pro Bernardo e disse que ela poderia ficar o tempo que quisesse.
– Minha mãe vai ficar mais uma semana lá.
– Hum, então eu vou ficar aqui com você, posso?
– Claro que pode.
Eu disse o abraçando com força e o beijando em seguida.
No final da tarde fui até a casa da Jackie, encontrando-a deitada lendo um livro no seu quarto. Ela me olhou e ficou em silêncio, pressentindo o que viria. Sentei ao seu lado na cama e falei:
– Oi Jackie, a gente precisa conversar.
– Eu sei o que você veio fazer aqui, Biel. Não precisa ser advinha pra saber que quando o namorado quer conversar, na verdade quer terminar. Eu só quero saber, quem é?
– Quem é o que?
– Quem é mulher que te enfeitiçou? Você acha que sou burra? Você já não toca em mim faz tempo, anda estranho, distante, arredio. Como você teve a coragem de me trair, Gabriel? Depois de tudo que eu fiz por você, por nós?
– Jackie, olha eu gosto muito de você, você é uma menina incrível..
– Não! Me poupe disso. Eu corri atrás de você por meses até você se dar conta que eu existia e depois não sei mais quanto tempo até a gente ficar e muito mais até namorarmos. Eu te amei com todas as forças e agora vem outra e te tira de mim assim? Você é um cretino, Gabriel! Eu te odeio!
– Jackie, por favor, não é assim como você tá falando, não tem menina nenhuma..
– E ainda mente pra mim nessa cara dura? Sai daqui! Não precisa falar mais nada, eu já entendi.
– Jackie..
– Sai daqui!
Pra não piorar ainda mais a situação, eu levantei e fui embora. Estava com o coração apertado, me sentindo terrivelmente mal por ela. Ela tinha razão, eu a trai. Não deixa de ser uma traição, mesmo que não tenha sido como ela pensou.
Fiquei rodando de carro, pensando naqueles últimos acontecimentos e o quanto a minha vida parecia estar mudando naquele momento. Será que eu estava preparado? Provavelmente não, mas não iria fugir de nada. Passei num restaurante, peguei uma pizza e levei pra casa. Tudo estava silencioso e escuro, então subi correndo pro meu quarto.
Encontrei-o deitado na minha cama só de short, jogando vídeo game.
– Oi, trouxe pizza.
Eu disse, colocando-a em cima da escrivaninha.
– Humm, leu meus pensamentos. E ai, como foi lá?
– Difícil, ela me odeia. Me acusou de ter traído ela… enfim, foi complicado.
– Nossa Biel, eu sinto muito. Na real, eu não queria que ninguém sofresse pra gente poder ser feliz. Ela vai encontrar alguém legal bem rápido, bonita daquele jeito.
– É, tenho certeza que sim. Agora eu to solteiro.
– Solteiro?
– É, a não ser que… você aceite namorar comigo. Quer? Quer namorar comigo, Bernardo?
Ele largou o controle do videogame e continuou olhando pra mim com aqueles olhos esverdeados, agora um tanto arregalados. Por um momento achei que fosse levar um toco, mas ele se levantou e veio até a mim.
– E você ainda pergunta? Eu sou seu, Gabriel. Eu te amo.
Me abraçou e colou seus lábios nos meus. É estranho descrever a felicidade que senti naquele momento. Quando me dei conta, mais uma vez estávamos nos amando intensamente, nus em cima da minha cama. Os corpos se completavam e se ondulavam em perfeita sincronia. A gente já estava pegando um pouco mais de prática e podíamos nos arriscar em novas posições que nos levavam a um prazer extremo.
Ele sentou por cima de mim, enquanto eu segurei sua cintura com firmeza fazendo ele cavalgar de um jeito que me deixava louco. Olhava pro seu rosto e o via morder os lábios, gemendo roucamente, denunciando todo o prazer que estava sentindo. Fizemos amor sem pressa, por minutos a fio e quando não aguentamos mais, gozamos fartamente e quase simultaneamente.
Ficamos abraçados um tempo, nos curtindo, até que ele levantou e foi se lavar. Levantei ainda pelado e fui pegar a caixa de pizza, coloquei sob a cama, já atacando uma fatia. (Nossa, que fome que dá depois que a gente transa, né?) Ouvi ele falar lá de dentro do banheiro:
– Caralho, Biel. Se a gente continuar nesse ritmo eu vou ficar largo, arrombado mesmo.
Na hora que ele falou isso eu engasguei com o pedaço de pizza, pra depois rir muito alto. Ele falou com tanta espontaneidade que eu não aguentei. Gargalhei sonoramente.
Ele voltou pro quarto rindo também e pegou um pedaço de pizza.
– Você ta rindo porque não é você, seu safado.
– Eu to rindo porque você falou de uma forma muito engraçada. É claro que você não vai ficar largo, que besteira. E se você quiser, a gente pode inverter os papéis. Não é algo que eu sinta vontade, mas faria por você.
– Eu nem te imagino fazendo isso Biel, sério mesmo. Nem tenho tesão em fazer dessa forma. Acho que tá ótimo assim, foi natural desde a primeira vez. Sabe, doí pra caralho, ainda mais com essa jeba que você tem, mas confesso que to ficando viciado.
Olhei com os olhos arregalados pra ele e nós dois caímos na gargalhada. Ele ficou vermelho que nem um tomate e terminamos de comer a pizza num clima descontraído e gostoso. Mais uma vez dormimos juntos, agarrados, como o resto da semana.
Confesso que era muito bom passar o dia fora, voltar e encontra-lo ali. A gente vivia uma espécie de lua de mel. Nos arriscávamos na cozinha, víamos filmes juntos, fazíamos amor sempre que tínhamos um tempinho vago. Eram uma, duas, às vezes até três vezes por dia. Não me lembrava a ultima vez que me sentia tão feliz.
Minha mãe voltou de viagem e ele teve que voltar pra casa dele. Mesmo assim a gente se via sempre, todos os dias e mantínhamos o nosso relacionamento de vento em popa. Saiamos com os nossos amigos e é claro que ninguém desconfiava de nada. O Kadu e o Bernardo viviam se bicando de maneira velada e sutil, mas não passava disso. Depois que o Kadu soube de nós dois, tentava me respeitar ao máximo e maneirava nas gracinhas.
Tínhamos uma vida completamente normal e o fato de manter a nossa relação para nós mesmo e escondido de todos, só apimentava as coisas. Não era raro nos agarrarmos em lugares públicos e inusitados, muitas vezes consumindo o ato longe dos olhos de todos. Era muito excitante e ao mesmo muito perigoso.
Assim se passaram 4 meses.
Certa vez, estávamos num bar badalado da cidade e eu vi o Bernardo paquerando uma garota. Isso não era atípico. Achava normal ele olhar, visto que seu interesse por mulher não havia desaparecido, assim como o meu, mas estávamos em outro momento. Tínhamos nos encontrado e estávamos felizes juntos. Porém naquela noite…

Curiosidades sobre a bissexualidade.

Todos sabem que a bissexualidade é o B da sigla LGBT, mas das orientações sexuais minoritárias ela é a menos discutida e problematizada, o que dá a ideia de que a comunidade bissexual é escassa, desorganizada e virtualmente inexistente. Os preconceitos enfrentados pelos bissexuais vêm tanto da sociedade como da própria comunidade que os integra. Nos últimos tempos, instituições e grupos voltados à causa bissexual travam uma cruzada científica e social para provar que a bissexualidade é uma orientação tão comum e frequente quanto as outras e que deve ser vista como tal. Entenda como a invisibilidade imposta sobre o grupo influencia em sua realidade.https://f91005844cde6331137340e8dd8b9d84.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

1. Apagamento bissexual e bifobia

Muita gente enxerga a bissexualidade como uma orientação conveniente e inventada, usada por homens em negação quanto a sua homossexualidade e por mulheres que só querem experimentar. Estudos levantados pelo American Institute of Bisexuality demonstram que pessoas que se identificam como heterossexuais têm mais atitudes negativas sobre bissexuais (especialmente homens bissexuais) do que têm quanto a gays e lésbicas. Ou seja, héteros têm mais preconceitos contra bis.

Mas a crítica não vem só dos leigos. Em entrevista para o jornal The New York Times, um dos ativistas do AIB afirmou que, mesmo dentro da comunidade gay, os bissexuais são ignorados, incompreendidos ou alvo de piadas. Membros do AIB insistem que algumas das piores minimizações e discriminações vêm de dentro da comunidade gay, alimentada pelos estereótipos de que pessoas bissexuais estão mentindo para si mesmas e para os outros, estão confusas e não merecem confiança.

Além desses fatores, muitos outros contribuem para a invisibilidade das pessoas bi. O instituto de pesquisas Bisexual Resource Center, de Boston, enumera alguns deles: chamar bissexuais de “aliados”, excluindo-os de uma comunidade que deveria integrá-los; o uso de linguagem não-inclusiva, como casamento gay ou casal gay e casal lésbico, mesmo quando um bissexual compõe o casal; rotular erroneamente como gay, lésbicas ou heterossexuais pessoas que se declararam bi; ou determinar a sexualidade da pessoa considerando apenas o sexo do seu companheiro ou companheira.

2. Identidade X Comportamento

Além da invisibilidade e do preconceito, de acordo com a AIB, a maioria dos bissexuais não sai do armário por estarem em relacionamentos com alguém do sexo oposto e não são abertos sobre sua orientação. De acordo com o terapeuta sexual Joe Kort, autor de um livro sobre homens que se identificam como heterossexuais, são casados, mas também fazem sexo com homens, muitos não contam a ninguém sobre suas experiências bissexuais por medo de perder relacionamentos ou ter a “reputação manchada”. Consequentemente, formam um grupo invisível.

Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2013, apenas 28% das pessoas que se identificavam como bissexuais falaram que eram abertas quanto à sua sexualidade. Devido a essa alta improbabilidade de sair do armário, a Comissão de Direitos Humanos de São Francisco chamou os bissexuais de “uma maioria invisível” que precisa de recursos e apoio. Ativistas bissexuais da AIB acreditam que muito do que as pessoas heterossexuais, lésbicas e gays acreditam sobre a bissexualidade está errado e é distorcido por um parâmetro que se auto-reforça: por causa da bifobia, muitos bissexuais não se assumem. Mas até mais gente bi ser aberta quanto à sua orientação, os estereótipos e a desinformação no coração da bifobia continuarão intactos.

3. Pesquisas científicas

O American Institute of Bisexuality foi fundado em 1998 por Fritz Klein, um psiquiatra bissexual abastado que acredita nos valores persuasivos de pesquisas acadêmicas e científicas. O instituto AIB se dedica a financiar estudos e a ter ideias de como aumentar a visibilidade bissexual em um mundo ainda não convencido da existência da bissexualidade. Nos últimos anos, a AIB apoiou o trabalho de mais de 40 pesquisadores. As pesquisas lançam um olhar para o comportamento bissexual e saúde mental, padrões de excitação sexual em homens bissexuais e juventude bissexual.

Essas pesquisas foram uma resposta a pesquisas publicadas anteriormente por Michael Bailey, professor de psicologia que divulgou resultados que invalidavam a bissexualidade masculina. A AIB convidou o próprio Bailey para conduzir novos estudos e aplacar seu ceticismo. Os resultados surpreenderam o psicólogo: foi descoberto que homens bissexuais de fato demonstram “padrões bissexuais de excitação tanto subjetiva quanto genital”, contrariando os resultados anteriores. Ou seja, os padrões de excitação dos homens selecionados pela AIB para serem estudados batiam com a orientação que eles professavam e a instituição, criticada por trabalhar com Bailey, conseguiu provar cientificamente a existência da bissexualidade.

4. Riscos de saúde

A marginalização e a discriminação que a comunidade bissexual sofre na sociedade reflete também na saúde dos seus membros. O apagamento bissexual leva muitas pessoas a evitarem exames ou a mentir sobre o histórico sexual. Ainda de acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Bisexual Resource Center, de Boston, os bissexuais têm uma tendência a enfrentar maiores disparidades de saúde. Comparadas a heterossexuais, lésbicas e gays, pessoas bissexuais têm maiores taxas de ansiedade, depressão e outros distúrbios de comportamento, assim como é maior a incidência do uso de tabaco. São maiores também as chances de pessoas bissexuais contraírem infecções sexualmente transmissíveis e os riscos de doença cardíaca e câncer quando comparadas aos heterossexuais.

Parte 9

Eu não sou gay…mas…

– Eu tava com raiva, queria dar o troco. Queria ver se tudo aquilo que eu senti foi com você ou se poderia ser com qualquer um.
– O que?!

Eu perguntei estupefato.
O cara parado a nossa frente nos olhava meio assustado, sem saber o que fazer. Eu só o olhava, tentando entender o que estava acontecendo ali, sem poder acreditar que ele tinha ido tão baixo.
– Deixa eu te explicar…
– Bernardo, você acha mesmo que tem alguma explicação? Você deu um piti ao me ver com o Kadu, um cara que a gente conhece desde moleque, sem nem ao menos se certificar que tinha rolado algo. Parecia estar tão indignado em me ver compartilhar algo que até então só tinha acontecido contigo, falando que eu fui o único pra você e contrata um boy? Qual é a lógica nisso?
– Biel..
– Cala a boca, agora eu vou falar! Vou falar tudo que está entalado aqui! Você armou toda aquela situação naquela noite e eu cedi porque é obvio que já sentia algo por ti, mesmo sem saber ao certo o que era. Você forçou aquela entrega porque queria experimentar algo novo e depois se arrependeu. Sumiu por dois anos! Foi até mais que isso se formos parar pra pensar. Quase três anos… Todo esse tempo sem uma maldita palavra sua! Só aquele e-mail frio e cruel. Eu não sofri… eu quase morri! Tinha perdido meu melhor amigo, meu companheiro de todas as horas e o meu grande amor. Tive raiva de mim, de ti, do mundo… Senti nojo por ter feito aquilo. Me culpei, me condenei, me puni…Então você volta e quer que seja tudo como foi um dia. Eu mais uma vez tento fugir de ti, de nós, de tudo. Mais uma vez tenho que lutar contra os meus fantasmas, os meus medos. Você acha que você tem o direito de bagunçar a minha vida assim? E se eu tivesse algo com o Kadu? É um cara legal, muito mais homem do que você jamais foi um dia. E esse mesmo cara me convenceu a vir aqui, tentar de novo. Pra que? Encontrei você bêbado rodeado de vagabundas, te dei banho, segurei sua cabeça pra você vomitar. Mesmo sentindo uma raiva filha da puta de você por essa merda toda que você tinha aprontando, eu cuidei de você, estava disposto a abrir meu coração e então me aparece um garoto de programa?! Pagar por sexo? Por algo que você a minutos atrás disse ter sido único e que você só seria capaz de fazer comigo?
– Nossa… Que história. Não queria estar na sua pele, mano.
O cara que continuava parado ali no quarto falou olhando com pesar pra nós dois. Eu olhei pra ele e depois pro Bernardo, que se mantinha de cabeça baixa.
Levantei e parei na frente do garoto de programa, que estava completamente sem reação diante daquela confusão toda.
– Pode fazer o seu trabalho, o que te trouxe aqui. Não vai precisar cobrar em dobro.
Eu disse e sai do quarto. Na casa a festa ainda rolava a todo vapor, gente se pegando em tudo quanto é o lugar e aquilo tudo estava me causando náuseas. Me apressei em sair, mas não consegui ir pra casa. Andava a esmo sem direção certa, a cabeça pensando mil coisas ao mesmo tempo.
Sentei na esquina de uma rua qualquer e senti o celular vibrar. Tinha trezentas ligações e mensagens da Jackie, mas eu não ia responder naquele momento. Pensei em mandar uma mensagem pro Kadu, mas a verdade é que eu não queria falar com ninguém.
Não sei quanto tempo eu fiquei ali, imerso em pensamentos que me torturavam por horas a fio. Então levantei e voltei pra casa. Tomei um banho e deitei.
No dia seguinte corri atrás de fechar uma proposta que tinham me feito de treinar uma equipe de corrida numa cidade próxima. Eu tinha enrolado até então, meio absorto com os últimos acontecimentos, mas a agora era uma ótima oportunidade pra me distanciar daquilo tudo. O Bernardo mandava várias mensagens pro meu celular, mas eu nem me dava ao trabalho de responder. Seria uma semana fora e me apressei em me despedir da minha mãe, mandei uma mensagem pro Kadu avisando do trampo e passei na casa da Jackie rapidamente, pegando a estrada logo depois.
Durante a semana inteira foquei no trabalho. A prova seria no sábado e no domingo de manhã poderia retornar pra casa. Na verdade estava sentindo uma paz tão grande que não sentia muita vontade de voltar. Falava todos os dias com o Kadu e com a Jackie via mensagem e ligava pra minha mãe religiosamente.
No domingo de manhã voltei pra casa e fui recepcionando com um almoço delicioso que minha mãe preparou. Ela estava me esperando chegar pra poder levar meu irmão mais novo na casa da minha vó que era na cidade vizinha. Iria aproveitar e passar uns dias lá, visto que ele estava de férias. Nem fiz qualquer objeção, pois adorava ficar sozinho, mas confesso que estava sentindo falta dela devido à semana que passei longe.
No dia seguinte fui à faculdade e depois fui dar meus treinos na academia. Já era tarde da noite quando voltei pra casa, cansado e faminto. Passei numa lanchonete pra comer um sanduiche por pura preguiça de fazer algo na cozinha. Não demorou muito, eu estava entrando com o carro na garagem. Entrei na sala, jogando as chaves em cima da mesa e subi para o meu quarto.
Entrei e ao acender as luzes quase morri de susto. Encontrei o Bernardo sentado na minha cama, me olhando calmamente. Dei um berro e cambaleei pra trás, assustado por não esperar aquilo.
– Você ta louco?! O que você ta fazendo aqui?! Como entrou?!
– Eu ainda sei onde fica a chave reserva e não estou tão velho pra pular muro. Como nos velhos tempos.
Olhei pra ele ainda me recuperando daquele susto, respirando descompensado, enquanto ele sorria da sua marotice. Joguei a mochila no chão e cruzei os braços.
– O que você veio fazer aqui?
– Vim conversar com você, Biel. Eu sei que você não atenderia as minhas ligações, assim como não respondeu as minhas mensagens. Me ouve, por favor.
– Bernardo, nem perca seu tempo. A gente não tem nada pra conversar. Segue a tua vida que eu vou seguir a minha.
Ele levantou e veio na minha direção, parando há poucos metros.
– É inútil tentar fazer isso. Eu já tentei, você também. Minha vida é você, Biel. Eu fui um idiota de tentar apagar aquela noite, de achar que podia viver isso com outra pessoa, se sempre foi você. Quanto tempo eu neguei pra mim mesmo quando éramos moleques. Te via tão lindo junto a mim e te desejava o tempo todo, mas não podia nem sequer pensar naquilo. Às vezes tinha a impressão que você também não era indiferente a mim, mas eram tantas duvidas, totalmente diferente do que diziam pra gente ser o certo. Eu já tive outras pessoas, você também, mas aquela noite foi a mais linda da minha vida. Ali eu me dei conta que eu era seu e só seu. Eu me assustei, fugi e paguei caro pelo meu erro. Eu sei que você sofreu muito também, por isso eu voltei. Voltei porque não aguentava mais fugir desse sentimento, voltei porque eu precisava de você.
Ele falava com os olhos marejados fixos nos meus. Eu continuava estático, sentindo ele se aproximar a cada frase. Ele parou a centímetros de mim e falou:
– Vamos esquecer o que passou e vamos dar uma nova chance a gente. Vamos viver esse amor, só nós dois. Vem..
Ele disse e meu corpo reagiu sozinho. Tomei-o nos braços e o beijei com tanta paixão que até doeu. As bocas se engoliam famintas, desesperadas, enquanto minhas mãos apertavam suas costas. Senti sua língua invadindo a minha boca e a suguei com gosto, deslizando a minha nela. Ele me apertava com força, meus braços, minhas costas, sentindo, reconhecendo cada pedaço do meu corpo.
Depois de um bom tempo nos beijando, já sem folego, minha boca desceu pelo seu pescoço, arranhando, sugando de leve e senti-o tirar a minha blusa. Tirei a dele também e ele começou a beijar meus ombros, descendo pelo tórax, se demorando nos mamilos, me arrancando suspiros. Mordia com força os gominhos da minha barriga, me deixando todo marcado, me levando a loucura.
Abriu minha bermuda e a tirou lentamente, afundando o rosto na minha cueca boxer branca, aspirando o cheiro, passando a língua pelo tecido. Foi tirando a peça de roupa, revelando minha pica super dura, grossa, que já babava de tanto tesão. Ele foi passando a língua na cabeça, espalhando aquele liquido pela a extensão inteira do pau. Lambeu meu saco. Sugando as bolas devagar, para depois voltar com a língua da base até a cabeça. Eu joguei a cabeça pra trás de olhos fechados, arfando com aquelas caricias.
Não demorou ele engoliu minha rola por inteiro, sugando com força me fazendo gemer. Segurei o seu cabelo e conduzi os movimentos, enquanto ele me chupava gulosamente. Ficou nessa até eu quase não aguentar mais, então o puxei novamente pra mim e o beijei com gosto. Engolia sua boca num beijo intenso, de tirar o folego, enquanto minhas mãos se livravam da calça dele com cueca e tudo.
Joguei-o na cama, nu e o admirei. Mordi os lábios em aprovação com uma cara safada, fazendo ele sorri. Fui subindo pelas suas pernas, beijando, mordendo até chegar a sua coxa. Mordi com força fazendo-o gemer. Passei a língua pela virilha e lhe suguei as bolas. Ele se contraia na cama de tanto prazer e eu continuei com aquela doce tortura. Passei a língua no seu pau todo, pra depois chupar com força trazendo todo aquele liquidozinho pré gozo pra minha boca. Segurei e subi beijando sua barriga, seu tórax até tomar seus lábios novamente, o fazendo sentir seu próprio gosto.
Ele pegou a minha mão e colocou meu dedo indicador todo na boca, chupando, olhando pra mim. Depois pegou ele e direcionou ao seu buraquinho, no qual eu penetrei devagar, o fazendo arfar. Brinquei bastante com o dedo enquanto o beijava e quando senti que devia coloquei mais um. Ele me arranhava e gemia abafado dentro da minha boca, querendo mais. Resolvi enfiar mais um e tentar lacear o máximo que eu podia. Depois de um tempo, ele mordeu minha orelha e falou rouco de desejo:
– Vem, entra em mim. Não suporto mais esperar.
Olhei nos olhos dele e o beijei mais uma vez. Seus rosto branco e lisinho estava vermelho da fricção com a minha barba rala, deixando-o ainda mais fofo.
Me posicionei, esfregando o pau na entradinha pra lubrificar bem. Passei a maior quantidade de saliva que eu podia. Comecei a forçar, indo devagar, mas com firmeza e depois de um tempo seu cú começou a ceder. A cabeça entrou, fazendo ele se contrair e fazer uma careta de dor. Esperei um pouco e voltei a enfiar. Ele apertava minhas costas e rangia os dentes. Tirei e lubrifiquei mais e tornei a colocar, enfiando devagar, indo com paciência até meter tudo dentro dele. Fiquei parado um tempo, beijando sua boca com ternura, o fazendo relaxar. Mexia o quadril com calma, vendo como ele reagia e depois de um tempo já estava fodendo gostoso.
– Ahhh aiii, vaaaii.. aaiii aahhhh, caralhooo …aaahh aaiii Biel Ahhh fodeee … me faz seeeuu.
Ele entrelaçou as penas na minha cintura e eu tirava quase tudo de dentro dele e tornava a enfiar, o fazendo revirar os olhos. Meu quadril se ondulava num ritmo perfeito em cima dele, sem que eu tivesse controle algum. Olhei bem pros seus olhos e disse:
– Eu te amo.
Ele sorriu, fechando os olhos para abrir em seguida e dizer:
– Eu te amo muito. Muito…
E me beijou. O ritmo foi acelerando naturalmente. Sentia as mãos dele percorrendo meu corpo, arranhando, enquanto seus dentes cravavam-se no meu ombro. Os gemidos ficavam mais urgentes, assim como as estocadas mais fortes e rápidas. Olhei bem nos olhos dele, mordendo os lábios e segurei seu pau, que já latejava na minha mão.
– Ahhhh porrraa ahhhh nossaa… aahhh aiii ahhh não páraaa
Não foi preciso muitos movimentos para que ele jorrasse aquele liquido esbranquiçado e denso, melando a minha barriga, a sua, o peito, tamanha era a abundancia. Ele gemeu alto, se contraindo e apertando os olhos. Gozei em seguida, sentindo seu cu mastigar a minha rola e com isso tirar uma boa quantidade de leite meu que lhe inundou o reto. Urrei sentindo aquela descarga elétrica me percorrer o corpo, deixando-me sem ar, fazendo meu corpo tremer violentamente.
Ficamos assim colados um no outros, sentindo os espasmos dos nos nossos corpos, até que a nossa respiração voltasse o normal. Me mexi para sair de cima dele, mas ele me segurou.
– Espera, não sai agora. Quero aproveitar cada segundo. Tanto tempo eu esperei por isso.
Passei a mão no seu rosto e o beijei. Senti meu dedo molhado e quando tornei a olha-lo vi que uma lágrima escorria do seu olho, enquanto ele os mantinha fechados. Meu coração estava tão cheio de amor que poderia explodir. Beijei sua testa e com cuidado sai de dentro dele, deitando ao seu lado. Ficamos assim, abraçados durante um tempo.
– Vamos tomar um banho?
Propus vendo o estado que estávamos: todos melados, suados e grudentos.
– Vai ter coragem de me tirar do céu?
Ele disse rindo. Eu o apertei nos meus braços e disse baixinho no seu ouvido:
– Eu te levo pra lá de novo depois.
Rimos, eu peguei ele no colo e fomos pro banheiro. Debaixo do chuveiro, as caricias recomeçaram, mas ele estava dolorido e não conseguia transar novamente. Mesmo assim me chupou com tanta vontade que não demorou muito pra eu estar gozando novamente, agora na sua boca, que não deixou vazar nada. Nos beijamos e retribui a gulosa, fazendo ele gozar gostoso.
Troquei o lençol, que mais uma vez estava manchado de sangue e sêmen. Ele me garantiu que estava tudo bem, que era normal e eu me despreocupei. Afinal, ele era quase um medico. Nos deitamos e logo ele se aconchegou a mim.
– Isso parece um sonho, sabia?
– Será que não é um sonho?
Perguntei fazendo carinho nos cabelos dele.
– Se for, eu não quero mais acordar.
Ele respondeu sorrindo. Logo ele pegou no sono, enquanto eu me mantinha acordado velando o seu descanso. Na verdade eu tinha medo que aquele desfecho de outrora se repetisse novamente. Ele se mexeu e abriu os olhos, sorrindo ao me ver.
– Não dormiu? O que foi? Pode dormir, seu bobo. Eu não vou fugir.
Ele disse me beijando em seguida. Aconcheguei-me a ele e logo dormimos novamente.
No dia seguinte acordei e me vi sozinho na cama. Não havia sinal dele, nem de suas roupas. O quarto estava em silêncio e um pânico tomou conta de mim. Aconteceu de novo?

Parte 8

Eu não sou gay…mas

Ele olhou pra mim e então deitou na cama com as mãos atrás da cabeça. Era incrível que como tinha uma tranquilidade intrínseca pra tudo. Continuei olhando pra ele ansioso pela sua resposta.
– Olha Biel, eu já te disse. Eu te desejo, desde sempre. Quero fazer render esses anos de fantasias contigo. Porém, pra mim isso tem que acontecer de uma forma leve, gostosa, consensual. Não quero que você acorde no dia seguinte e sinta grilado ou culpado.
– Se você quer tanto fazer isso porque recuou hoje?
– Porque eu vi que você não estava pronto. Qualquer um no seu lugar já teria me agarrado e feito mil coisas, mas você estava paralisado. Como eu disse, não quero forçar nada, nem que depois você se arrependa. Gosto de seduzir, de provocar, mas antes de tudo sou seu amigo.
– É que pra mim é complicado Kadu, não é que eu não queira. Claro que não fico indiferente a essa sua provocação, mas eu me machuquei feio. Eu só tive esse tipo de experiência com ele e por melhor que tenha sido na hora, o depois foi muito traumático.
– Eu te entendo, Biel. Sentimentos são mais complicados do que se pensa, por isso que eu não me apaixono. Pra mim tem que ser divertido, gostoso e bom pros dois. Se não for, melhor nem acontecer.
– Você leva tudo tão de boa. Me sinto um ranzinza perto de ti.
– Mas Biel, tem como facilitar, né? Olha, eu sei que foi super tenso tudo que aconteceu entre vocês dois, porque vocês se apaixonaram e tiveram a primeira vez de vocês naquela intensidade toda, mas cara já ta na hora de resolver isso dai. Porque você não toma essa atitude? Vai atrás dele e tentem se entender. Não digo só de ser amigos não. Tentem de novo.
– Ah, claro. Vou esquecer tudo que ele me fez? Você só pode ta maluco!
– Não, não to. O que você ganha guardando isso dentro de ti? Biel, ta na cara que existe muita coisa entre vocês ainda, porque vocês não vão viver isso?
Abaixei a cabeça e esfreguei o rosto com as mãos.
– Eu não sei se eu to preparado pra isso. Eu não sou gay, Kadu. Não sei se eu vou saber viver algo assim, com medo das pessoas descobrirem, a reação da família.
– Eu sei cara, isso é foda mesmo porque a pessoas querem julgar, apontar o dedo e nem sabem de porra nenhuma. Eu entendo o que você sente, mas você só vai saber se viver um relacionamento com ele de fato. Não precisa se preocupar se é gay, bi ou trans. Isso dai é coisa de nego que gosta de te colocar num parâmetro, que nem sempre existe. E vocês podem manter as coisas entre vocês, não precisam gritar pro mundo que tão juntos. Afinal, isso só interessa a vocês.
Eu olhei pra ele com a cabeça pensando freneticamente em tudo que ele me disse. Ele estava certo, eu sei que sim, mas eu também tinha meus dragões pra matar.
– Eu não te entendo Kadu. Você ta doido pra dar pra mim e me joga nos braços de outro?
– Hahahaha, é bem simples. Não vai ser gostoso como eu quero, se você não se resolver ai dentro. Se for pra rolar, quero que a sua cabeça esteja em mim e só. Somos amigos, Biel. Quero o seu bem. Vá falar com ele.
– Tudo bem, vou ver se a noite eu falo com ele. Valeu mesmo, Kadu. Você é parceiraço.
– Que isso, Brother. Tamo junto. Vou nessa agora, depois a gente vai lá naquela loja.
– Ta bom. Nós falamos.
Nos despedimos com um abraço e ele deu uma mordida de leve na minha orelha, que me arrepiou por inteiro. Rimos juntos e ele se foi. Ainda fiquei um tempo pensando em tudo que ele tinha me dito e cheguei à conclusão que a melhor coisa a se fazer era tentar resolver essa situação de uma vez. Eu sei que o Bernardo me amava e era impossível continuar negando pra mim mesmo que também sentia o mesmo. Iria abrir meu coração pra ele e quem sabe pudéssemos viver esse sentimento.
Fui pra academia dar as minhas aulas e mais um personal que eu tinha naquele dia. Fui em casa e tomei um banho me preparando pro que viria. “Coragem, Gabriel”, eu dizia pra mim o tempo todo.
Coloquei uma roupa qualquer, mas confesso que me demorei mais na frente do espelho. Passei perfume, dei uma passada de mão no cabelo e fui. Fui andando pela rua pensando no que dizer, como abordar e resolvi que a melhor forma era se deixar levar pelo momento.
Cheguei em frente da casa dele e ouvi uma musica alta vindo lá de dentro. O portão só estava escorado e todo o ambiente estava escuro. Fui entrando devagar, cauteloso, procurando alguém conhecido. Nem sinal da mãe dele, da irmã ou dele mesmo.
Quando entrei na sala encontrei pessoas dançando, entre rostos conhecidos e outros que nunca vi, havia mulheres seminuas que rebolavam seus corpos até o chão, ora se beijando ora se agarrando com os homens que estavam ali presentes. Em contrataste com o ambiente escuro, piscava uma luz estroboscópica que deixava tudo ainda mais bizarro.
Consegui com dificuldade reconhecer alguns amigos que estavam dançando com algumas mulheres e puxei um deles num canto.
– Markus, que porra é essa que tá rolando aqui?
– Ahhh Biel! Você também veio mano! Fodaaa!!!
Ele disse rindo e me abraçando, bebendo uma bebida no gargalo de uma garrafa que não reconheci o rotulo.
– Markus, responde!
– O Bernardo pagou umas putas aí e chamou os brothers pra festinha. Caralho, Biel eu vou fuder até não aguentar mais.
– E cadê o Bernardo?
– Deve ta por ai.
Ele disse voltando pra rodinha que estava antes.
Comecei a procurar por todos os cantos da casa. Aquilo ali mais parecia um prostíbulo e eu não estava gostando nada do que eu estava vendo. Fui até o lugar mais obvio que tinha pra estar rolando alguma putaria: O quarto dele. Fui devagar, com medo do que pudesse encontrar pela frente, mas não podia recuar agora. Parei na frente da porta fechada, ouvindo a música alta que vinha lá de dentro. Respirei fundo e girei a maçaneta.
Encontrei ele em pé na cama dançando com uma garrafa de whisky na mão, com mais três mulheres dançando em volta dele. Estava sem camisa e com a calça aberta, completamente embriagado, bailando de olhos fechados.
As mulheres se ouriçaram ao me ver entrar, mas eu desviei delas e fui até o aparelho de som, desligando-o. Na mesma hora ele abriu os olhos e perguntou bravo, com a voz enrolada:
– Que porra é essa?!
– Eu também to querendo saber, Bernardo. Pra que tudo isso?
– O que você ta fazendo aqui? Eu não te convidei.
– Foda-se. Vocês podem nos deixar a sós?
Eu indaguei as garotas e elas prontamente atenderam vendo que o clima estava pesado demais. Ele protestou alegando que estava pagando e tal, mas eu mesmo fui encaminhando elas para a saída. Fechei a porta e tornei a olhar pra ele.
– Você não tem esse direito, Gabriel! Eu to na minha casa!
– Cala a boca! Você não respeitou a sua própria casa. Transformou isso daqui num puteiro. Pra que essa palhaçada, Bernardo?
– Palhaçada por quê? Achou que eu fosse ficar choramingando por você? Eu vou é me divertir!
– Me dá essa garrafa aqui, você já bebeu demais.
Eu disse tomando a garrafa da mão dele, o fazendo perder o equilíbrio e cair deitado na cama.
– Seu filho da puta, devolve o meu whisky.
– Eu vou te dar um banho pra curar esse porre.
Peguei-o pelo braço e fui arrastando até o banheiro. Ele tentava se desvencilhar e esperneava, mas eu nem me importava. Apesar de estar bravo com o que ele tinha feito, eu sabia que ele estava magoado e bêbado, provavelmente só queria aprontar pra espairecer.
Abri o chuveiro no máximo na temperatura fria e logo a agua estava gelada. Meti ele embaixo do jato frio de calça jeans e tudo, enquanto ele se debatia tentando sair. Segurei-o com força até que ele parasse de tentar fugir e reclamar. Seus lábios estavam roxos e seu queixo batia freneticamente, mas ainda não tinha feito efeito.
Depois de um tempo vi que ele estava mais calmo e mais lúcido, então desliguei o chuveiro e dei a toalha a ele.
– Tira essa roupa molhada e se seca, vou lá pegar outra pra você.
E sai deixando ele sozinho no banheiro. Fui até o quarto, ouvindo a musica que vinha da sala e percebi que pelos gritinhos e barulho, que a festa estava rolando solta. Peguei uma bermuda, uma cueca e uma camiseta qualquer e voltei pra onde ele estava. Entrei no banheiro e o encontrei nu encostado na pia. Levei um susto e cambaleei pra trás, pois achei que pelo menos ele estaria com a toalha enrolada a cintura.
Seu corpo estava úmido e gotículas de água escorriam do seu cabelo, deslizando pelo tronco e pelo enorme dragão nas costas. O corpo dele estava bem mais desenvolvido desde a ultima vez que o vi pelado, mas eu não iria ficar prestando atenção nesses detalhes. Imediatamente virei o rosto e falei:
– Toma, veste.
Ele pegou a roupa e foi colocando peça por peça, lento e trôpego. Olhei o tempo todo pra parede, me controlando ao máximo pra não encara-lo novamente. Não era hora pra aquilo.
– Ai cara, to enjoadão.
Ele falou e quando eu olhei em sua direção, ele já estava vestido. Fiz com que ele se ajoelhasse na frente do vaso sanitário e segurei a sua testa.
– Poe o dedo na goela e vomita.
– Ah não, odeio isso.
– Anda!
Ele me olhou contrariado e fez. Não demorou para que os jatos viessem com força, enquanto seu estomago se contraia para expelir mais. Quando finalmente acabou, eu o ajudei a se levantar e ele escovou os dentes. Estava pálido, visivelmente tonto e eu o levei de volta pro quarto.
Deitei-o na cama e ajeitei os travesseiros atrás da sua cabeça. Ele olhou pra mim e falou:
– Por que ta fazendo isso por mim?
– Porque eu gosto de você, apesar de tudo.
– Gosta ou ama?
Olhei bem nos olhos dele e pensei no que responder. Não era o momento pra declarações, ainda mais com ele naquele estado, mas fui no intuito de não mentir mais sobre esse sentimento.
– Amo.
– Ama, mas se entregou a outro. Você foi o único na minha vida, eu nunca pensei em fazer com outro cara.
– Eu não me entreguei a ninguém, você que se precipitou. Eu concordo que dava a entender que tinha rolado algo, mas não rolou nada.
– Eu fiquei louco quando vi aquilo. Só de pensar em você comendo o Kadu… meu sangue ferve.
Eu ia falar, mas alguém bateu na porta. Com certeza era um dos garotos reclamando que tinha acabado a bebida ou querendo camisinha.
– Entra.
Eu disse, sem sair do lado dele. Um rapaz de mais ou menos 25 anos entrou, olhando com estranheza pra nós dois. Ele era alto, loiro e vestia roupas de marca. Um completo desconhecido pra mim. O Bernardo se sobressaltou na cama e eu voltei a minha atenção a aquele cara que estava parado na nossa frente.
– Qual dos dois é o Bernardo?
Eu olhei pro lado esperando uma reação, mas ele estava estático com os olhos arregalados. O cara percebeu que o Bernardo era o rapaz que estava deitado na cama e se dirigiu a ele:
– Olha, você me disse que era só pra você, se for os dois eu vou cobrar o dobro.
– Cobrar o dobro? Do que você ta falando?
Eu perguntei confuso com aquela situação.
– É o dobro, mas garanto que vale a pena. Vou deixar vocês dois muito satisfeitos. Pode dar um confere no corpitcho aqui. Faço de tudo, vocês não vão se arrepender.
Eu olhei novamente pro Bernardo, franzindo a testa sem acreditar no que estava acontecendo.
– Eu posso explicar, Biel. Foi antes… Eu tava com raiva..
– Pera… Você contratou um garoto de programa?!

Parte 7

Eu não sou gay…mas

– Hã? Eu não to te entendendo. – Eu falei meio assustado e sonolento ao mesmo tempo.
Ele riu, mordendo de leve os lábios.

– Eu fui dar uma corridinha e resolvi passar aqui pra ver como você tava, mas você tava dormindo, então a sua mãe disse que eu podia subir.
– Ah, entendi. Eu to bem, só tá meio dolorido. Ficou roxo?
– Ta um pouco, mas já some. Pelo visto você já tem seu médico particular. Hahaha
– Para de bobeira. Eu nem sabia que ele tava fazendo medicina e agora ainda tenho essa espécie de divida de gratidão com ele. Foda.
– Agora vão poder brincar de médico. Hahahaha
– Aff Kadu, você é muito palhaço.
Empurrei-o rindo, fazendo com que ele caísse na gargalhada também.
– Mas sério, Biel eu vi vocês ontem irem embora juntos. Conseguiram conversar numa boa?
– Ah, mais ou menos. Ainda tem muita mágoa que não foi dissolvida. Não sei se a gente é capaz de ser amigos.
– Vocês complicam muito as coisas.
– Pode ser, mas não dá pra apressar esse processo. Cada um tem o seu tempo de digestão. Ei, mudando de assunto, você vai comigo naquela loja que te falei? Só assim pra eu ir, porque eu to enrolando um monte.
– Ta, eu vou, mas eu preciso tomar um banho antes. Olha como eu to, todo suado.
– De boa, eu vou pegar uma toalha pra você.
Eu levantei sem me dar conta de um detalhe que acontece praticamente todas as manhãs. Antes que eu pudesse esconder a minha ereção matinal, ele já estava olhando para o imenso volume que se formava no short fino que usava pra dormir.
Coloquei a mão por cima imediatamente, sem graça com aquela situação.
Por mais que fosse natural ficar de pau duro na frente dos amigos às vezes, não me lembrava de ter acontecido isso com o Kadu. Ele se aproximou lentamente, parando na minha frente.
– É natural acordar animadinho assim de manhã, não precisa esconder. Até porque o que é bonito é pra se mostrar.
Ele disse sorrindo maliciosamente. Ao mesmo tempo em que jogava a isca, esperava que eu a mordesse.
– É tesão de mijo, assim que eu descarregar a bexiga passa. Toma a toalha, pode usar o meu banheiro.
– Ta bom, não vou demorar.
Ele disse com um sorriso e foi pro banheiro. Era melhor urinar e desarmar aquela barraca logo antes que aquilo me causasse problemas. Enquanto usava o banheiro do corredor, fiquei pensando no que parecia estar acontecendo: Uma espécie de jogo de sedução velado que eu não tinha certeza se era real.
Eu nunca fui indiferente ao Kadu, que sempre foi um dos caras mais naturalmente sexy que eu já conheci. O jeito provocador dele, aliado com sorrisos e olhares peculiares eram uma arma e tanto na mão daquele menino maroto.
Porém, eu estava machucado demais pra prestar atenção nisso e acho que naquele momento ainda me sentia assim.
A cabeça ainda estava confusa e os sentimentos revirados, mas não podia negar que ser instigado dessa forma era gostoso.
Voltei pro quarto e fiquei mexendo no celular. Ouvia o barulho da água correndo e sentia uma leve curiosidade de entrar no banheiro e ver ele nu embaixo do chuveiro. Eu devia estar com o capeta no corpo, só podia.
Tratei de espantar esses pensamentos da minha cabeça e fui me trocar. Tirei rapidamente o short e peguei uma cueca branca boxer, colocando-a em seguida. Resolvi pegar a primeira bermuda que eu encontrasse, mas antes que a vestisse ele saiu do banheiro.
Estava com a toalha enrolada na cintura, bem baixa por sinal. Os cabelos outrora encaracolados, agora estavam molhados e em total desalinho como se ele tivesse sacudido a cabeça. Do pescoço escorriam várias gotículas de água que trilhavam sua pele, passeando livremente pelo seu corpo.
Ele foi se aproximando de mim devagar, olhando em meus olhos enquanto eu me mantinha parado, com a boca semi aberta.
– Me empresta uma bermuda?
Ele pediu ainda olhando nos meus olhos. O corpo dele estava muito próximo ao meu e eu fiquei completamente sem ação. Ele esticou a mão, roçando o braço no meu pau que já estava novamente ereto. Pegou uma bermuda que estava que estava atrás de mim e me perguntou:
– Pode ser essa?
Eu nem olhei pra peça de roupa em sua mão, mas fiz que sim com a cabeça. Aquilo pouco importava naquele momento. Eu estava mais preocupado em controlar o meu corpo que insistia em reagir violentamente a aqueles estímulos.
Eu não sabia se estava certo ou errado, só que o tesão que eu estava sentindo naquele momento não me deixava pensar com clareza. Ele olhou pra baixo, primeiro em direção ao meu pau que nesse momento já formava um enorme volume na cueca e depois para o seu que também se evidenciava no tecido felpudo.
Ele foi abrindo lentamente a toalha enquanto meus olhos acompanhavam atentamente cada movimento seu. Os pelos pubianos aparados foram aparecendo e então ele fechou a toalha.
– Acho melhor me trocar no banheiro.
Eu olhei pra ele sem entender o porquê daquela atitude dele, mas ele simplesmente falou:
– Deixa rolar. – E deu uma piscadela safada.
Ele nem chegou a entrar no banheiro. Vestiu a bermuda por debaixo da toalha mesmo sem cueca, virado de costas pra mim, deixando a mesma cair em seguida mostrando parte da sua bunda. Nem chegou a abotoar a bermuda e entrou no banheiro para usar meu desodorante.
Meu pau doía de tão duro dentro da cueca e o tesão estava a mil, mas eu não sabia se me sentia frustrado ou aliviado por não ter rolado nada. “Ah safado, me provocou legal” pensei comigo. Estava meio confuso, tentando me recompor quando a porta abriu.
O Bernardo entrou de súbito, parando em seguida ainda segurando a maçaneta da porta. Me olhou intrigado em me ver de cueca, demorando-se no volume que se estampava na minha cueca.
Antes que eu ou ele pudéssemos falar qualquer coisa, o Kadu saiu do banheiro sacudindo os cabelos molhados, com o dorso ainda úmido do banho e vestindo a minha bermuda. Ele se surpreendeu em ver o Bernardo ali, franziu a testa e depois olhou pra mim sem entender nada.
Olhei novamente pra aquele que estava parado diante de nós.
– Nossa…
Ouvi ele dizer antes de sair batendo a porta furiosamente.
“Era só o que me faltava..” pensei. Peguei a bermuda e vesti com pressa, procurando uma blusa pra vestir.
– O que foi isso? O que ele veio fazer aqui?
– Não tenho a menor ideia, Kadu. Que merda… parece que o acaso ta sempre me atropelando. Agora ele deve ta pensando milhões de coisas nada a ver.
– Vai atrás dele Biel, conversem numa boa. Esclareça as coisas, é melhor.
– Acho que vou fazer isso sim, mesmo achando que não devo satisfação a ele. Você me espera aqui?
– Se você não demorar muito, eu espero. Vai lá, brother.
Sai de casa procurando ele com os olhos e o vi quase virando a esquina. Alcancei-o no meio da rua, mas apesar de eu chamar o seu nome, ele continuou a andar em passos largos. Praticamente corri para poder segurar seu braço e o fazer parar.
– Porra, não ta ouvindo eu te chamar não?
– Me larga, Gabriel!
– Espera aí, vamos conversar. O que você foi fazer lá em casa?
– Fui te entregar isso!
Ele jogou um tubo de pomada em cima de mim que por pouco não acertou na minha cara.
– Eu fui tão idiota de me preocupar com você! Você já estava sendo muito bem cuidado, né? Porque mentiu pra mim ontem quando perguntei o que tava rolando entre vocês, hein?!
– Eu não menti, Bernardo. Não rolou nada entre o Kadu e eu.
– Ah, não? Você acha que eu sou otário? Eu entro no seu quarto e você tá só de cueca com o pau duro e ele saindo do banheiro com o cabelo e o corpo molhados, com a bermuda praticamente aberta. E agora você quer me convencer que não rolou nada?!
– Mas não rolou nada, Bernardo! O Kadu só tomou banho lá e eu emprestei uma bermuda…
– Ah, a bermuda que ele estava usando sem cueca era sua? Nossa…Incrível, só piora.
– Olha aqui, você acredita no que você quiser porque eu não te devo satisfação. Não precisava ter feito a cena que você fez batendo a porta daquela maneira. Você não tem esse direito, foi você que foi embora.
– Eu fui e você já arrumou que tem te consolasse. Tomou gosto pela coisa. Tão machão e tão…
– Como é que é?! Você ta maluco?! Você me respeita! Eu quebrei a sua cabeça e agora eu vou quebrar a sua cara!
– Quebra sim! Quebra porque já ta faltando vergonha nessa minha cara de idiota! Você me falou tantas vezes que tudo entre nós tinha morrido, mas eu não me dei conta até agora. Você já ta muito bem comendo os viadinhos de plantão que se jogam em cima de ti.
– Bernardo, cala essa boca! Você não sabe o que você ta falando!
– Eu voltei por sua causa! Porque eu sei que meus sentimentos são verdadeiros e vim disposto a te reconquistar de volta, mas esse cara que você se tornou eu não conheço.
– Hã?!
– Cada um segue a sua vida, Gabriel. Eu vou te deixar em paz. Volta pro seu amiguinho!
Ele disse falando alto demais pra quem estava no meio da rua. Olhei furiosamente pra ele, pensando em pegá-lo pelo pescoço e dar-lhe um murro certeiro na cara, mas ele virou as costas e saiu.
Respirei fundo e então voltei pra minha casa. Graças a Deus não tinha tanto movimento na rua e a discussão parecia normal aos olhos de quem passava no local. Fui andando bufando de raiva. Quem que ele achava que era? O cara vai embora logo depois de passar a noite fazendo amor comigo, me expulsa da vida dele, nunca mais olha na minha cara e agora volta se achando dono da situação.
Fora a confusão que ele criou dentro de mim, plantando um sentimento que depois não quis colher. Só eu sei como eu fiz pra me reerguer, pra superar aquele e-mail que ele me mandou.
Entrei em casa e fui direto pro meu quarto. Encontrei o Kadu deitado de bruços na minha cama, jogando vídeo game. Ele se sobressaltou ao me ver, finalizando o jogo e então olhando pra mim.
– E ai? Pela a sua cara, foi tenso.
– O Bernardo tá louco! Falou que eu menti pra ele, que eu to comendo os viados de plantão que dão mole pra mim, que não quer mais olhar na minha cara!
– Ele ta com ciúmes, só isso.
– E ele por acaso tem esse direito? E o pior que depois dele, eu não tive mais ninguém. Você sabe quanto tempo eu fiquei sozinho, sem nem olhar pro lado. Faz pouco tempo que resolvi levar adiante um relacionamento com a Jackie porque não aguentava mais ficar preso ao passado. E agora ele da de dedo na minha cara, como se eu fosse errado? Tirando conclusões precipitadas! Caralho, que ódio!
– Calma, Biel. Eu sei de tudo isso porque eu tava do seu lado. Ele falou na hora da raiva. Agora imagina se ele tivesse chegado antes, iria ser bem pior. Me pegar de toalha aqui e tal. Deixa ele se acalmar e vai ficar tudo bem.
Eu olhei pra ele e sentei ao seu lado na cama. Ele me olhou aguardando um movimento meu, mas eu fiquei somente estudando as suas feições. Por fim perguntei:
– Kadu, o que ta acontecendo entre a gente? O que você quer comigo?

Parte 6

Eu não sou gay… mas

– Que porra é essa?!
O Bernardo perguntou autoritário, esperando uma explicação. Eu abri a boca pra falar, mas o Kadu como sempre foi mais rápido.
– Algum problema, Bernardo?
Ele perguntou de uma forma provocadora, sustentando um sorriso debochado nos lábios.
– Não sei, vocês que podem me dizer. Estavam trancados no banheiro. O que ta pegando?

 
Eu não podia deixar aquilo virar um “cavalo de batalha” e me apressei em falar:
– Não é da sua conta, Bernardo. Vai cuidar da sua vida.
Eu respondi seco e fui andando, sendo acompanhado pelo Kadu. Logo que saímos da casa, eu o puxei num canto.
– Porra Kadu, qual é? Você fez aquilo de proposito pra provocar ele. Porque não falou logo o que aconteceu e pronto?
– E perder a chance de ver ele fazer uma cena de ciúmes? Não mesmo. Hahahahaha.
Ele respondeu rindo e eu lhe dei um soco leve no braço para mostrar a minha indignação com aquela atitude dele. Tudo bem, não estava tão indignado assim. Eu até gostei de ver o Bernardo fazer papel de tolo daquele jeito, mas não queria alimentar esse tipo de conduta por parte do Kadu.
Voltei pra mesa e ainda tive que ouvir as reclamações da Jackie por eu estar sem camisa. Mostrei a blusa manchada e ela aceitou contrariada. Estava tentando me distrair com o papo das pessoas que estavam ali, mas estava completamente áereo perdido nos meus pensamentos. A verdade é que depois de um tempo eu já estava torrando debaixo daquele sol, então resolvi dar um mergulho na piscina. Tinha uma galera jogando vôlei aquático, mas eu só queria dar uma refrescada mesmo. Tirei a bermuda ficando somente com uma sunga larga preta, com listras brancas nas laterais. Confesso que fico extremante envergonhado de ficar somente com essa peça de roupa, até porque o volume frontal é aparente demais e qualquer olhar mais incisivo faz rachar a minha cara, porém ficar com a bermuda pingando por horas me incomoda mais ainda. Entreguei o short pra Jackie e quase corri pra entrar na piscina. Antes de entrar vi que o Bernardo me olhava da cabeça aos pés. Parecia hipnotizado com que via, me deixando mais vermelho que um tomate maduro. Os olhos dele passeavam livremente pelo meu corpo, me deixando praticamente nu diante daquelas pessoas. Encarei-o carrancudo, mas ele desviou os olhos para outra direção franzindo a testa sério, intrigado com algo. No mesmo momento olhei para onde estava a atenção dele e vi o Kadu na piscina me olhando com um sorriso safado nos lábios, como quem estivesse aprovando o que via e ainda deu uma piscadela marota rápida, mordendo os lábios sutilmente em seguida. Eu fiquei tão sem graça e nervoso com aquela situação, que me apressei em entrar logo naquela piscina e ficar submerso na água para quem sabe poder afogar a vergonha que eu estava sentindo. O piso estava escorregadio e eu praticamente decolei, batendo com o braço no chão e a testa na borda, caindo na água em seguida. A dor foi lancinante, mas eu mantive a pose de durão e fingi que estava mergulhando. Me sentia meio tonto, mas já me bastava a cena anterior que quase me matou de tanta vergonha, agora esse tombo pra fechar o caixão de vez. Submergi segurando a testa e fazendo uma pequena careta de dor, então vi o Kadu se aproximando.
– Caralho, brother. Que pacote hein? Caiu feio mesmo. Machucou?
– Não, só ta doendo um pouco. Você é foda! Que porra foi aquela que você fez? Ficar dando piscadinha, eu hein? Ta louco?
– Ah foi por isso que você caiu que nem uma jaca podre no chão? Não sabia que eu tinha esse poder nas pessoas? Hahahaha Ninguém viu, seu bobo.
Ele disse rindo e eu o empurrei zangado, mas achando graça da marotice dele. Sorri mesmo contra a vontade e o vi ficar sério, olhando pra mim.
– Ih, Biel. Ta sangrando..
Ele disse apontando pra minha testa. Passei a mão e ela veio vermelha, misturada à água. Que merda, era só o que faltava. Sentia meu olho arder porque provavelmente o sangue estava entrando nele, mas não queria sujar a piscina. Quando fui me movimentar pra sair de lá, vi o Bernardo tirar a camisa com rapidez mostrando uma enorme tatuagem nas suas costas. Tudo acontecia num modo acelerado, mas para mim mais parecia em câmera lenta. Mesmo sem querer, analisei seu corpo por completo. Apesar de magro, seus braços tinham músculos discretos, mas definidos. O peito sem pelos estava mais desenvolvido, enquanto a barriga exibia gominhos leves e firmes. Em menos de um minuto ele já estava dentro da piscina, segurando meu rosto, analisando o ferimento. Assustei-me com aquela aproximação, tentando empurra-lo, mas ele segurou firme.
– Sai Bernardo! Tira as mãos de mim, você ta louco?!
– Cala a boca, Biel. Deixa eu ver esse corte.
Ouvia a voz desesperada da Jackie e as pessoas olhando um pouco preocupadas, mas a única coisa que eu queria era sair dali, ainda mais com essa proximidade dele.
– Deixo nada, você é medico por acaso?!
– Quase.
Ele respondeu sério, ainda olhando o corte tão de perto que sentia sua respiração no meu rosto. Olhei pra sua boca e a vi muito perto da minha me causando calafrios. Acordei daquela espécie de hipnose que ele me causava.
– Quase?
– Ainda não me formei, mas daqui a algum tempo já posso ser chamado assim. Olha, você deu sorte. Abriu o supercilio, mas não vai precisar dar ponto. Vamos sair da piscina pra eu fazer um curativo.
Sai da piscina meio atônito, pois não sabia que ele estava fazendo medicina. Além disso, tudo que eu não queria era depender dele pra nada. Aquilo era castigo por eu ter dado a bolada nele, tudo que a gente faz nessa vida volta pra gente e essa era a minha colheita. Sentei numa cadeira e a Jackie veio preocupada.
– Ai meu amor, você está bem?
– To sim, não foi nada.
– Ai, mas tá sangrando tanto. Você quase me matou do coração.
– Eu paguei o mico do século, isso sim. Pode ficar tranquila, morena. Tá tudo bem.
Ela me deu um selinho demorado, sendo interrompida por ele. O mais novo futuro médico estava com um kit de primeiros socorros na mão. Limpou o ferimento com gaze e desinfetou com um antisséptico, fazendo tudo sério e compenetrado. Aproveitei o momento para olha-lo melhor. Estudei as linhas do seu rosto, os olhos castanhos esverdeados pareciam mais claros. A boca ligeiramente carnuda e rosada ainda era a mesma de anos atrás. Olhei para ela por segundos a fio lembrando como era a sensação de tê-la na minha, deslizando suavemente pelos meus lábios. Quando levantei os olhos, o encontrei olhando pra mim e então sorriu.
– Prontinho. Você vai sobreviver.
– Não precisa disfarçar, eu sei por que você ta rindo. Deve ta pensando que eu te dei aquela bolada e agora me fudi. Pode rir, eu mereço.
– Não to rindo disso e sim porque você estava olhando a minha boca. E eu nunca me divertiria se acontecesse algo sério com você.
Ele falou me fitando nos olhos. Fiquei sem ação, retribuindo o olhar mesmo sem ter controle algum disso. Então ele levantou, saindo e antes que ele se afastasse, eu disse:
– Bernardo..
Ele se virou.
– Valeu. Valeu de verdade.
Ele sorriu e saiu.
Não demorou todos já tinham esquecido aquele incidente. O band aid incomodava um pouco, mas a sorte que não foi nada de grave. Vi algumas garotas em cima do Bernardo, mas ele não parecia muito interessado embora fosse simpático com todas. Eu que não ia dar importância pra isso. Anoiteceu, mas a galera ainda estava a todo o vapor. Enquanto tivesse carne e cerveja, a festa iria longe. A Jackie exagerou um pouco e estava um tanto quanto alegre, então resolvi leva-la pra casa. Sentia-me cansado também e com um pouco de dor de cabeça. Começamos a nos despedir de todos e antes que eu pudesse sair, o Bernardo chegou até a gente.
– Biel, vocês se importam de me dar uma carona? Eu cheguei há pouco tempo e ainda nem pude ver um carro. Se não for incomodo..
– Claro que não! Imagina se a gente ia deixar quem cuidou tão bem do meu bebê a pé por ai. Né, amor?
A Jackie se antecipou já decidindo por mim e eu de fato não poderia negar uma carona a ele depois do o ocorrido naquela tarde. Dei um sorriso amarelo um tanto contrariado e fomos todos pro meu carro. Deixei a Jackie primeiro em casa, pois ela morava mais distante de nós, enquanto a família dele ainda residia na rua de trás a minha. Parei o carro na frente da sua casa e esperei que ele saísse, mas é claro que ele não fez isso. Olhou pra mim e falou:
– Nem ta tão inchado, só vai ficar um pouco roxo. Amanhã já da pra tirar esse curativo e deixar o ferimento respirar.
– Eu não sabia que você estava fazendo medicina.
– Nem podia, né? A gente não se falou esse tempo todo. Depois de tudo que aconteceu, eu meti a cara nos estudos e passei pra faculdade. Cursei esses dois anos lá e agora to pensando em transferir pra cá?
– Já sabe qual vai ser a especialidade?
– Pensei em cirurgia geral, mas eu to estudando as possibilidades.
– Entendi.
Eu disse sem olhar pra ele. Ele virou a chave do carro, desligando-o e então virou se pra mim.
– Biel, o que ta rolando entre você e o Kadu?
Era só o que me faltava ele tocar nesse assunto. Em pensar que semanas atrás era o Kadu que estava me fazendo essa mesma pergunta.
– Não tá rolando nada, Bernardo.
– Que ta rolando algo, isso é fato. Eu quero saber o que é.
– E você acha mesmo que você tem esse direito? Olha, Bernardo muito obrigado por ter cuidado do corte na minha sobrancelha, mas já ta na hora de você entrar em casa.
Ele respirou fundo, enquanto eu olhava pra frente esperando ele sair.
– Ta bom, desculpa. Eu não tenho esse direito mesmo. Porra, mas é natural eu querer saber se ta rolando algo com a pessoa que eu am..gosto. Você é meu melhor amigo!
– Eu não sou mais seu melhor amigo, se toca!
– Ah, vai me dizer que o Kadu ocupou esse lugar?
– É, diria que sim.
– Em tudo?
Eu olhei pra ele com raiva e a vontade que eu tive foi de virar a mão na cara dele, mas fazia tão pouco tempo que eu o tinha machucado tão gravemente, que eu respirei profundamente procurando me acalmar. Ele me viu bufando de raiva e tentou contemporizar.
– Desculpa, vai… É que vocês estavam trancados no banheiro e depois eu vi a maneira que ele ficou te olhando, devorando seu corpo com os olhos…eu fiquei com ciúmes. Eu não tenho o direito, mas caralho não dá pra controlar as coisas que a gente sente. Você acha que eu queria gostar de você? Que eu to feliz? Não Gabriel! Não queria nada disso, mas se dois anos longe de você não me fizeram esquecer, nada mais me fará. Eu te amo, porra!
Ele segurou a cabeça com as mãos, enquanto eu tentava processar tudo aquilo que tinha sido dito. Eu sabia que ele alimentava sentimentos por mim, mas ouvir assim era muito mais complicado. Precisava ser forte.
– Olha Bernardo, eu não devia falar nada disso pra você porque não é da sua conta, mas não ta rolando nada entre eu e o Kadu. Ele entrou no banheiro enquanto eu tava lavando a blusa que você mesmo sujou e foi mijar porque tava apertado. Nada demais e essa parada da piscina é zueira dele. Brincadeira, só isso.
– Zueira? Aham..Ele é afim de você, Biel. O Kadu pega as menininhas por ai e ninguém sabe qual é a dele, mas eu que prestei bastante atenção vi o que ta na cara: Ele é doido por você.
– Para de falar merda. Somos amigos e ponto. Agora por favor, se você não se importa eu quero ir pra minha casa. Boa noite.
– Ta bom. Valeu pela carona, seu cavalo.
Ele disse saindo do carro e batendo a porta. Revirei os olhos e segui o meu caminho.
No dia seguinte acordei sonolento e passei a mão de leve sobre o curativo. Estava dolorido, mas não parecia estar inchado.
– Você já ta bom.
Uma voz falou, fazendo eu me sobressaltar abrindo os olhos na mesma hora.
– Kadu, o que você está fazendo aqui?!
– Hum… Advinha?
Ele respondeu com uma voz maliciosa.
…..Continua

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