Já passava das 22h. Ela chegou em silêncio, tirando os sapatos na porta. O corpo exalava cansaço, mas os olhos… os olhos gritavam desejo.
Ele já a esperava — luz baixa, vinho aberto, incenso aceso e uma playlist que sabia tocar nela o que nem o próprio espelho alcançava.
Ela sorriu ao vê-lo sentado no chão, encostado na parede, com uma taça em mãos e aquele olhar de quem a devorava em silêncio.— Vem. Só vem… — ele murmurou.Ela sentou no colo dele, encaixando o quadril no espaço exato entre suas pernas. Encostou o rosto no pescoço dele e inspirou fundo.
O cheiro dele era abrigo e provocação.As mãos dele começaram um passeio lento: costas, nuca, cintura… subindo a blusa dela sem pressa, sem técnica, apenas presença.— Hoje não quero pressa — ela sussurrou.— Nem eu. Quero te ouvir gozar com a alma…O beijo veio depois de um silêncio denso. Denso como pele que se arrepia. Línguas se encontraram devagar, e as mãos já desenhavam mapas que só eles sabiam decifrar.
Ela se despiu por inteiro, mas não de roupa — de medo, de vergonha, de pressa. Deitou no colchão como quem entrega o corpo e pede: me lê com as mãos.E ele leu. Palavra por palavra, poro por poro. A ponta da língua dele descobriu segredos atrás do joelho dela. A palma da mão acalmou tempestades entre as coxas.O tempo parou quando ele beijou a barriga dela como se ali morasse o universo.E então, sem que ela pedisse, ele falou com voz baixa e firme:— Deixa eu te fazer gozar de dentro pra fora?Ela só assentiu.
O corpo arqueou. O toque se fez ritual. Língua, dedos, gemidos sussurrados, tremores leves… até que ela perdeu o chão.
Gozo.
Profundo.
Demorado.
Quente.
Mas o mais forte foi o que veio depois: o olhar. Ele a olhou como quem diz “você é mais que prazer — você é templo”.E naquele instante, ela entendeu: o verdadeiro orgasmo não é o fim… é a porta de entrada para tudo que somos.
