A casa estava silenciosa, quase cúmplice do que viria. O relógio marcava 22h, e a luz da lua entrava pelas janelas, desenhando silhuetas provocantes no chão do quarto. Ele ainda estava terminando uma taça de vinho quando ouviu o som suave dos saltos no corredor.
Ela entrou.
A primeira coisa que ele viu foi o balanço das orelhinhas pretas no topo da cabeça dela. As pontas do robe vermelho vinho mal alcançavam a curva das coxas, e o tecido leve denunciava mais do que escondia. Em uma das mãos, uma cesta delicada, mas nada inocente. E no olhar… puro fogo.
— Esconde-esconde é coisa de criança. Hoje, o jogo é outro — ela disse, deixando a cesta sobre a mesa de cabeceira.
Ele se levantou devagar, hipnotizado. Mas ela o empurrou de volta para a cama com um único dedo no peito.
— Ainda não. Hoje quem comanda o prazer… sou eu.
Ela abriu o robe com lentidão ensaiada. Por baixo, o corpo adornado com uma lingerie de renda preta e detalhes dourados que reluziam sob a luz suave do abajur. Os bicos dos seios marcavam o tecido fino, convidativos, ansiosos. As ligas seguiam o contorno das pernas até a meia 7/8 que grudava nas coxas como um segredo que só ele teria o direito de desvendar.
Do fundo da cesta, ela tirou uma pequena garrafinha de calda de chocolate, e a aqueceu com as mãos antes de abrir.
— Páscoa é sobre prazer, doçura… entrega.
Ele quis tocar, mas ela segurou seus pulsos e, com as algemas de veludo, os prendeu suavemente na cabeceira.
— Agora sim.
Derramou um fio grosso da calda sobre o abdômen dele. A calda escorria lentamente, seguindo a linha entre os músculos, e ela acompanhava com a língua. Quente com quente. Doce com desejo.
Cada lambida era lenta, provocante, como se saboreasse uma sobremesa rara. O cheiro da calda misturado ao perfume da pele dele criava um ambiente quase alucinante. A respiração dele acelerava, o corpo se movia sob ela, mas ainda preso — à cama e a ela.
Ela sentou sobre seu quadril, pressionando com o quadril devagar, provocando um atrito que fez ambos soltarem um gemido abafado.
Pegou um morango da cesta, mergulhou na calda e levou até a própria boca. Mordeu com sensualidade, deixando o suco escorrer pelos lábios. Em seguida, inclinou-se para beijá-lo, fazendo-o provar da fruta direto da sua boca.
Beijo quente, intenso, daqueles que começam na boca e queimam o corpo inteiro.
Ela se movimentava como se dançasse, fazendo questão de tocar cada parte dele com os cabelos, os dedos, a língua. A cada gemido dele, ela sorria com prazer. Estava no controle. E ela sabia brincar com isso.
A lingerie não durou muito mais. Desabotoou devagar, deixando os seios livres, firmes, à vista, apenas para provocar o tormento de não poder tocá-los. Ela os roçava em seu peito, com malícia, enquanto sussurrava:
— Já imaginou quantos pecados cabem numa noite de Páscoa?
Quando finalmente se encaixou sobre ele, foi com lentidão insana. O corpo se moldando, se abrindo, o prazer explodindo em ondas que tomavam os dois. Ela cavalgava com precisão, como se tivesse estudado todos os pontos do corpo dele que poderiam levá-lo à loucura.
E ele… ele só podia se render.
Os dois se perderam no escuro, nos gemidos abafados, no som do suor se misturando à calda, nos corpos colados como promessa. O mundo lá fora era outro. Ali, naquela cama, só existiam eles — dois corpos celebrando a Páscoa à sua maneira: com entrega, tesão, e chocolate derretido no pecado.
